EXPLICANDO THELEMA?

 

Um PRONUNCIAMENTO e um      ALERTA a todos quantos interessados na INICIAÇÃO THELÊMICA, e desmascarando os falsos Mestres e hipotéticos Líderes do SISTEMA.
 
 
POR
 
 
Frater T. 2º= 9 A.'. A.'.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
         Se esse conhecimento pudesse ser obtido simplesmente pelo que dizem outros homens, não seria necessário entregar-se a tanto trabalho e esforço, e ninguém se sacrificaria tanto nessa busca. Alguém vai à beira do mar e só vê água salgada e tubarões e peixes. Ele diz: “Onde está essa pérola de que falam: Talvez não haja pérola alguma”.  Como será possível ter a pérola simplesmente olhando para o mar? Mesmo que tivesse de esvaziar o mar cem mil vezes com uma taça, jamais encontraria a pérola. É preciso um mergulhador para encontrá-la, não qualquer um! É preciso um homem  que seja ao mesmo tempo ágil e afortunado.
 
                                                     Jalal ul-Din Rumi
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                  “A verdade não tem hora, pertence a todos os tempos, precisamente quando nos parece inoportuna.[1]
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
         Este é um trabalho sem qualquer maior pretensão a não ser aquela de informar, na medida do possível, certos aspectos concernentes as, assim chamadas, Ciências Esotéricas, Ordens Secretas, Fraternidades Iniciáticas, ou qualquer outro nome que se queira dar à este assunto ou à estas organizações tão em moda nos dias atuais, e que vêm sendo apresentadas ao público sob obscuros e pretensos  “segrêdos”  tão a gosto de charlatões.
         Meu principal motivo foi sentir o dever de alertar contra o perigo ameaçador de certas organizações que se auto-intitulam iniciáticas e fraternais e, também, quanto à indivíduos despreparados ou com objetivos obscuros que, com suas obras peçonhentas, podem levar os ingênuos à loucura ou até ao suicídio.
         O trabalho não segue determinada sequência didática como se poderia esperar; apresenta apenas uma coletânea de anotações mais ou menos arrumadas, cartas, artigos, críticas, etc., registradas ao longo de anos de pesquisas e experiências seguindo as diretrizes do sistema, vulgarmente conhecido como,  Thelêmico.
         Certa vez, a Mestra Blavatsky declarou, para alarde de muitos e compreensão de pouco, que o segredo é inimigo da verdade. Anos mais tarde, esta declaração foi plenamente endossada pelo maior Magista dos últimos séculos, Aleister Crowley, que em sua fantástica obra nos legou uma mais completa “abertura” em matéria de Ocultismo, Magia, Misticismo, etc., indicando como desvelar “segredos” e usá-los de maneira mais “econômica”, simples, correta e direta.
         Muito tem sido dito e escrito a respeito do ocultismo em geral e de Thêlema em particular[2], e muito mais ainda das Ordens e Fraternidades de Iniciação.
         Nos últimos anos temos observado um grande recrudescimento, na procura das Artes Esotéricas, em todas as camadas de nossa sociedade, o que resultou, como seria de se esperar, a proliferação de inúmeras “organizações ocultas”, em que a grande quantidade de ordens e gurus legítimos é ínfima, e a quantidade de falsos enorme. Hoje em dia a coisa mais fácil e encontrar algum “mestre”  ou “iniciado” em cada esquina, ou ler anúncios de “ordens secretas” em revistas ou jornais. Mesmo na televisão podemos ver e ouvir “grandes magos”  dando entrevistas e fazendo prosélitos de seus poderes “altamente iniciáticos”  baseados em Sistemas que, diga-se de passagem, estão totalmente em desacordo com as premissas do Novo Equinócio dos Deuses. Ou aquele outro “guru” que não concordando com os Grandes Mestres, ousou adaptar à nosso ambiente tropical as figuras e cores de um dos mais Sagrados Arcanos da Ciência Hermética, os quais, em suas mãos, tornaram-se, então, frívolo jogo  de “prever o futuro” – um simples instrumento de ganhar dinheiro fácil e popularidade entreimbecis. Ou aquele “cabalista”, usando a Divina Linguagem dos Números como meio de projetar-se socialmente e encobrir um grande complexo de inferioridade resultante de sua vergonha de sua própria raça e problemas de caráter sexual. Ou ainda aquele outro que deseja tornar o esoterismo uma fantasia de ficção científica, e coloca a Sede da Grande Ordem na longínqua estrela Sírius, como se nosso planeta não fosse bastante nobre para este local. Seria cansativo enumerar mais exemplos desta profanação e charlatanice sem limites grassando em nosso meio. A única atitude ante o caos esotérico dos dias atuais é  alertar aos incautos e, com paciência de um monge taoista, aguardar que a fagulha de Vida existente nestes usurpadores das coisas santas retorne ao Grande Indiferenciado.
         O principal motivo desta febril procura pelo “miraculoso mundo do Esoterismo”, tão explorado pela alcatéia de pantomimeiros, tem sido apressadamente explicado como uma tendência patológica [3], uma fuga das circunstâncias adversas que atravessamos em nossa sociedade tão cheia de problemas. Mas nós não podemos esperar que a passagem dos Aeons seja sem grandes catástrofes. A passagem dos Aeons é sempre turbulenta.
         Em parte, a tese apontando a fuga das circunstâncias adversas como a causa primeira da procura do “oculto”, corresponde à verdade, mormente com respeito àqueles charlatões e seus (nem tanto) inocentes seguidores, que também sofrem da mesma doença. Entretanto, é fato universalmente con hecido que todo indivíduo que procura a Ciência dos Magi, em qualquer de seus ramos, para evadir-se facilmente dos problemas, os quais é incapaz de solucionar por seus próprios méritos pessoais, apresenta-se como fraco candidato para aquisição do Conhecimento Oculto e, conseqüentemente, jamais será aceito em uma Real Ordem Iniciática. Disso podemos concluir o porque somente encontrarmos personalidades patológicas em “falsas ordens e mal intencionadas” [4]. Não há exceções a esta regra.
         Ora, os mais lícitos e reais motivos desta procura nascem no próprio indivíduo. Surge “de dentro para fora”, residindo em camadas muito mais profundas da alma humana que se possa imaginar, e não em qualquer mesquinho desejo de “ter poderes super-humanos”.[5] Ele existe em um salutar impulso nascente em nossos corações, inexorávelmente nos lançando em direção ao Conhecimento[6], à Sabedoria, à Mestria, que tudo “sacrifica” em prol daquela pérola rara. Está na Real Vontade, acima de nossa “vontade”, em penetrar nos Mistérios (ou Arcanos, como prefiro dizer), envolvendo e atuando na própria vida do indivíduo. Porém, reiteramos: o impulso, a Vontade, jamais será submetida ao profano desejo de adquirir dons super-humanos, bens materiais, posição social, poder político ou em “ganhar a mulher do próximo”[7]. Isto sendo exatamente aquilo que, na falta de melhor definição, chamamos de Magia negra.
         Estas considerações não querem dizer, em absoluto, ser proibido ao Aspirante às Artes Sagradas, adquirir riquezas, bens materiais, projeção social ou poder político. Mas para estas aquisições existem outros meios, tais como estudo, trabalho, competência, inteligência e persistência, mas jamais o uso dos conhecimentos ocultos. Muitas pessoas perguntam por que não podemos usar a magia para ganhar dinheiro. A resposta é simples: porque os Planos não podem ser misturados. O verdadeiro magista sabe que deve “dar duro”, como todo mundo. Nós  Thelemitas compreendemos o desejo de se ter em posse pessoal todo o Conhecimento Secreto. Em parte isto traduz a ânsia da personalidade em encontrar uma muleta: “Como vencer na vida sem fazer força”, etc.  A maioria das pessoas interessadas em Ocultismo (principalmente pela magia, mas não pela Magick) quer emprego mas não quer trabalho. Mas esta idéia troglodita deve ser suprimida do coração do verdadeiro Aspirante à Iniciação.
         No presente momento, atravessamos um período de transição, em meio a um Ciclo que termina e outro que começa; quando o homem se prepara para um novo e decisivo passo em sua Caminhada Evolutiva. Esta posição, por sua própria natureza, atua fortemente na psique humana, ao sentir intuitivamente que todos os “padrões” religiosos, políticos e sociais vigentes no Ciclo Anterior perderam seus valores, estando ultrapassados. Disso a grande confusão reinante. A ânsia por novos valores e sistemas que preencham as lacunas deixadas pelos padrões anteriores. Abres-se, agora, para a humanidade uma infinidade de “caminhos”, nos quais ela poderá ou não, atingir grandes alturas não somente materiais como espirituais: depende somente dela.
         Com isto não quero dizer estarmos no “Fim do Mundo”, idéia esta que só pode excitar mentes doentias e lúgubres como dos, assim chamados, evangélicos. Poderá ou não haver uma catástrofe nuclear de consequências imprevisíveis. Mas, esta “estória” de fim do mundo, em que os bons irão para o céu, e os maus para o inferno, é pura besteira; miragens de neuróticos, possuidores de complexo de culpa, de homens e mulheres sexualmente reprimidos. Assim também é boato aquela “estória” de um “planeta purificador”, dirigido pela “vontade divina”, influindo diretamente no equilíbrio do eixo da Terra, e que despedaçará o Sol, como afirmam certas correntes espiritistas, cujos mediuns, verdadeiros tolos, desenvolvem a tendência de OB, abandonando-se à turbilhões astrais e entregando o Cálice Sagrado de seus corpos a qualquer entidade que aparece dizendo-se “espírito de luz”. Nenhum espírito é de Luz,  O Espírito é Luz.
         A natureza nos ensina que o Universo é dinâmico. Nele nada permanece estático. Tudo muda e se transforma fluindo perenemente em busca da auto superação, de uma perfeição cada vez maior. A Evolução se apresenta como fato incontestávelem todos os planos, e tudo que tenta resistir à seu avanço será, mais cedo ou mais tarde, levado pela correnteza das energias postas em ação – é só questão de tempo. As partes mais sadias dessas partes anti-evolução – se existirem – serão transmutadas no cadinho da Química Universal. O restante apodrecerá (o que não deixa de ser um tipo de transmutação) servindo de estrume para o Jardim do Criador. Entretanto, enquanto estas partes deterioradas persistirem na vã teimosia da resistência ante a mudança renovadora, estarão impedindo o livre fluir das Energias necessárias ao passo seguinte e, por isto, terão de ser alijadas do campo de plantação das novas flores do progresso, como quando amputamos um braço atacado pela gangrena.
         Subjugado pela inércia, atendência do homem profano é acomodar-se aos status-quo vigente; principalmente quando a situação lhe é pseudamente vantajosa. Daí, tudo que se lhe  apresenta como novo, forçando-o a mover-se e a pensar, adquire a pecha de nocivo, malígno e subversivo. Entretanto, esta acomodação contém em si mesma o aguilhão que movera o homem de seu bovino estado – o aguilhão é produto de sua própria inquietação – pois nada pode impunemente deter o Movimento Universal sem sofrer as consequências. A Igreja de Roma conhece o fato e tenta, agora, tardiamente, rever seus caminhos. Tarde de mais...
         A malsã atitude contra o progresso evolutivo ocorreu na maioria das religiões, fraternidades e ordens surgidas durante o Velho Aeon, quando o masoquismo psico-fisiológico constituía a  “chave” da Consecução Espiritual ou Iniciação, como muitos preferem dizer.
         Estas religiões e organizações recusaram-se a evoluir, muito embora possuíssem, em si mesmas, o embrião do impulso renovador implícito em seus rituais e lendas. Mas elas fizeram-se cegas e surdas às próprias Palavras de seus iniciadores. Acuadas pelo medo da perda do poder temporal permaneceram presas aos grilhões de suas próprias quimeras.
         O propósito deste trabalho, além de outros menores, será colocar em uma clara e nova perspectiva várias tendências ocultas que direcionaram o reavivamento do interesse pelo ocultismo nos últimos anos, e interpretar, sob novo ponto-de-vista esta ressurgência em termos de necessidade hbumana por uma aproximação universal à Realidade transcendendo todo prévio Sistema de Consecução Mágico-Místico.
         Como não poderia deixar de ser, daremos aqui maior ênfase ao Trabalho de Aleister Crowley; porque ele, mais do que ninguém nas última décadas, incorporou em forma especial toda Tradição Iniciática subjacente à este atual movimento Ocultista.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                                            “Precisamos urgentemente de uma clara
                                            reavaliação da Religião e do Esoterismo
                                            como conhecemos atualmente, acabando
                                            com a prática oportunista daqueles   que
                                            se utilizam de uma e de    outro     para
                                            usufruir ganhos pessoais e políticos”
 
 
 
         Os assuntos que aqui serão tratados são diversos e antagônicos. Na maioria da vezes se confundem devido a estarem ligados à outros dos mais polêmicos, tais como religião, revelação, tradição místico-mágica, etc.  Mesmo assim, torna-se necessário discuti-los sem qualquer tipo de restrição, mesmo que, por qualquer motivo, sejam usados contra o escritor, ou que permaneçam abandonados em alguma poeirenta estante sem serem, sequer, devidamente considerados.
 
                                                     T.  2º=9    A.´. A.´.
 
 
 
 
 
         O mito do “pecado original” é, talvez, o mais  destrutivo conceito que jamais influenciou a saúde mental e fisiológica da humanidade, pelo menos é assim naquela parte do mundo dominada pela  religião dita cristã.
         Os primeiros quatro Capítulos do Gênesis podem ter sido explicados à um pequeno número de Adeptos estudando a Cosmologia Qabalistica para os quais, e pelos quais, eles foram escritos. Mas a má interpretação e o impróprio uso destes capítulos por um conjunto de imbecis, durante dois milênios de política clerical, provou, ser esta interpretação, o verdadeiro “pecado original” da Civilização Ocidental. Recentemente, em uma rede de televisão “cristã”, eu testemunhei uma monstruosa demonstração a respeito desse dito “pecado original”.
         Incidentalmente, eu estava assistindo um programa infantil. Um segmento do tal programa era dedicado a perguntas feitas a respeito da “moral cristã”. Um jóvem escrevera que seus colegas estavam sempre contando-lhe “piadas imorais” e que alguns deles tinham o habito de folhearem revistas com fotografias de mulheres nuas, tipo “Play Boy”, Ele Ela”, etc. Francamente o jovem declarou que, embora reconhecendo que as piadas e as revistas eram pecaminosas, elas lhe despertavamuma sensação agradável. Portanto, ele desejava saber se esta sensação eram más e, se afirmativo, que deveria fazer para livrar-se delas.
         Após ler as questões do jovem, a animadora do programa (que trajava um sumário “short” e uma blusa bem justa ao corpo delineando seus opulentos seios) respondeu numa melosa voz que, embora o jovem ainda fosse uma criança, ele, como todos nós havia pecado contra “Deus” devido ao pecado de Adão e Eva no Jardim do Eden. O “sentimento pecaminoso” – disse ela – era causado pela presença deste pecado em todos nós. O pecado se manifestara no jovem através assensações agradáveis que sentira. Ela, então, o aconselhou a rezar para “Jesus” (especialmente ao dormir), admitindo ser um pecador, e convidando-o a entrar em seu coração, dando-lhe forças para resisitir às sensações agradáveis que sentia. Deu-lhe também o filosófico conselho de dizer à seus colegas para não mais contarem-lhe “piadas indecentes” e não mais olharem fotografias de mulheres nuas, porque somente assim se livrariam do “castigo de Deus”.
         Ora, como a maioria dos cristãos não possuem o menor conhecimento (ou interesse) nas fundações “históricas” de sua fé, eles desconhecem que este obscuro conceito (pecado capital) faz parte da doutrina da Igreja de Roma e de outras denominações cristãs. Entretanto, alguns ocidentais, cristãos e não cristãos, escaparam da traumática influência desta “imbecilidade original” e conseguiram manter o curso de nossa evolução. Aquele jovem, e talvez milhares de outros que assistiam o programa, tornaram-se vítimas de uma forma de ataque espiritual/sexual tão real e deletério quanto um molestamento físico. Os sentimentos e  agradáveis sensações daquele jovem não eram  “sujo” ou “imorais”, ou “pecaminosos”. Na realidade são um natural e saudável desabrochar do impulso criador do seu mais íntimo ser. Sentimentos estes que se encorajados, alimentados e dirigidos em um ambiente livre de culpa podem ser a chave da liberação da alma. Mas, como incontáveis outros de gerações anteriores à daquele jovem, no momento supremo de seu “despertar”  foram levados a envergonharem-se e reprimirem-se e eventualmente perverterem aquela divina energia, que cada um de nós compartilha com toda criação.
         Como todo Iniciado da Gnosis sabe, a utilização desta energia para iluminação espiritual é uma Ciência (e Arte) desenvolvida através milênios de prática, em várias civilizações da Terra. Em contraste com rezar a  “deus” para ajuda-lo a “não desfrutar” sua sexualidade, os Deuses Orientais estabelecem exemplos de divino Erotismo. Brahma e Saravasti, Vishnu e Lakshni, Shiva e Kali, todos fornecem divinos arquétipos para devotos emular em  ação, pensamento, meditação e relações sexuais.
 
LIBER AL vel LEGIS
 
         Talvez não exista figura mais controvertida, na moderna literatura esotérica, do que Aleister Crowley. Suas cansativas pesquisas nos extremos da experiência espiritual, e a sua busca pelo divino, somente foram superadas por sua mestria da língua inglêsa, e sua habilidade em transmitir suas conclusões à sérios estudantes. Hoje, após cinquenta e seis anos de sua morte, seus escritos atingiram um nível de popularidade internacional jamais, sequer, aproximado em sua vida[8]. Nem mesmo seus detratores conseguiram impedir sua influência nas ciências esotéricas. A qualidade de seus inúmeros trabalhos revelam um gênio de grande estatura. Entretanto, em minha opinião, sua maior contribuição à humanidade tenha sido um dos livros atribuídos a ele.
O LIVRO DA LEI
 
         Esta “Revelação” chamada Liber AL vel Legis, e melhor conhecida como Livro da Lei.
         Como tudo conectado com Crowley, o Livro da Lei simultâneamente inspira e repele. Quando eu o li pela primeira vez, eu fiquei tão impressionado que, imediatamente, segui as instruções contidas no final de minha cópia e, cerimonialmente, queimei o Livro. Meu Instrutor na A.´.A.´. deu boas gargalhadas quando lhe contei o fato. Felizmente ele tinha outra cópia e a me entregou. O sincero ato mágico foi aceito pelos Guardiões e o Livro incorporado na minha aura. O passar do anos somente fez crescer meu espanto à grande profundidade do Livro.
         O Livro é composto de Três Capítulos. Cada um deles atribuído a um Deus Egípcio: respectivamente Nuit, Hadit e Ra-Hoor-Khuit.
         Nuit simboliza o Espaço Infinito. Ela é o Universo ultimalmente expandido, e seu corpo contém todas as estrelas, galaxias e a soma total de todo tipo de possibilidades. Se o Infinito é simbolizado por um círculo, Nuit é a circunferência.
         Seu Divino Amante, Hadit, também é infinito, mas absoluta contração. Ele está simbolizado como um Globo Alado no Coração de Nuit. Erle é qualquer ponto que tem a experiência das possibilidades inerentes em Nuit. É o ponto no centro do círculo.
         Os dois Deuses estão sempre em contato. Eles se tocam, se penetram, se abraçam a todo momento; amantes em uma verdadeira escala cósmica. Esta atuação recíproca de eterna contração e expansão de dois opostos infinitos cria o finito. Neste finito campo de operação está a fundação do Universo Fenomenal e é representado no Livro da Lei pelo Deus do Terceiro Capítulo, Ra-Hoor-Khuit, a Criança Coroada e Conquistadora.
         No Santuário da Gnosis – IXº OTO – está a Técnica da Magia Sexual. Mas aqui devo fazer uma observação necessária: os Rituais da OTO não incluem sacrifícios humanos ou animais, copulação forçada entre seus membros, entre humanos e animais e outras coisas mais imaginadas por verdadeiros imbecis que projetam suas imbecilidades nos mais Santos Arcanos da Ciência dos Magi. Estas coisas escabrosas são invenções de diletantes do oculto, paranóicos, psicóticos e evangélicos da televisão. Infelizmente estes tolos se inspiram nos escritos de falsos ocultistas chegados aos filmes de terror e de ficção científica, dos quais retiram suas lucubrações mentais.
         Feita esta necessária observação passemos adiante.
 
         A estrutura das ordens thelêmicas é formada para gradualmente preparar o indivíduo a penetrar, compreender e, de maneira sábia, aplicar estas técnicas para fitos mágicos e iluminação espiritual. O segredo é tão simples que pode ser revelado em três pequenas escolhidas palavras. Mas palavras podem ser mal compreendidas e não conseguem adequadamente elucidar o total objetivo da subjacente teoria. Como um solvente universal, ele penetra no verdadeiro âmago de todo mecanismo da  Criação. Os elementos usados contêm, dentro de si mesmos, todas as possibilidades e o Iniciado precisa não ser somente um magista treinado, mas também um homem disciplinado. Na figura de Lam podemos observar toda esta disciplina e muitomais...  Para treinar esta atitude vários exercícios são oferecidos ao estudante. Na Missa Gnóstica temos todas as Chaves do Segredo da Transubstanciação (Hóstia e Vinho). Apos preliminares purificações e consagrações os dois Executantes da Missa (Sacerdote e Sacerdotisa) iniciam um processo de mútua excitação e arrebatamento, culminando na “União”, onde os elementos (agora energizados) são misturados. São consumidos para darem nascimento a um terceiro elemento que é a manifestação do objetivo desejado. Existem inúmeras Lojas da Ordem  que celebram esta Missa regularmente e estão usualmente abertas a todo sincero e interessado indivíduo.
 
 
 
 
 
RAÍZES
 
 
         Embora exista uma “história oficial”, registrada em documentos no mundo dos homens, as reais origens das reais Ordens Iniciáticas  jamais serão conhecidas.
         A priori, tal afirmação pode parecer absurda ou leviana. Mas, na realidade, um sincero investigador neste terreno defrontar-se-á com uma literatura tão caótica, tão indigesta, tão mirabolante, que abandonará, logo de início, sua tentativa de querer atingir estas origens. Qualquer honesto investigador sentir-se-á perdido no labirinto de infindáveis  documentos a serem manuseados, catalogados e pesquisados; e o que é pior: perceberá que a maioria deles se contradizem e são forjados no atendimento particular desta ou daquela corrente de pensamento; e que estas correntes – para sua maior dor de cabeça – se degladiam obstinadamente, e ele raramente encontrará documentos genuinos.
         Nosso investigador também observará que a falta de um ponto de referência o impedirá orientar-se no tempo e no espaço. E, assim, obviamente, estará muito longe de , sequer, avistar a Real Matriz Geradora da Autoridade da qual emana o Real Conhecimento: este Conhecimento apontado, em parte, na ordens Iniciáticas do atual movimento ocultista.
         Aqui, torna-se necessário abrir um parêntesis para ligeiro comentário do assunto:
         (Embora existam Três Fraternidades que se sucedem periodicamente no movimento evolucionário, cada uma com seu próprio esquema de Consecução, elas seguem um plano pré-estabelecido que, no final, dirige-se ao mesmo fito. Isto está simbolizado pelos Três Filhos de Noé. As Três Fraternidade são a Branca, a Negra e a Amarela. Quando um novo Magus encarna, elas vêm homenageá-lo com Incenso (Estímulo Espiritual), Ouro (cooperação no plano físico) e Mirra (oposição). Estas Três Fraternidades, como podemos observar, representam três distintas teorias do Universo. São elas as divulgadoras e mantenedoras das legítimas Correntes Iniciáticas do Planeta e nada têm a ver com aquele menstruo denominado  “A Grande Feitiçaria” ou “Loja Negra”, causadora de todas as mentiras, superstições e usurpações existentes em nosso mundo).
(Fim do parêntesis)
 
         Em vista de tão confuso e desolador panorama, certas pessoas julgarão, e com toda razão, que a Ciência Esotérica não passa de pura invencionice[9], lenda ou desejo inconsciente de encontrarmos, alhures, após a morte um estado paradisíaco (um céu), e que toda esta Ciência nada mais significa que uma fuga à realidade; uma fuga das pressões que sofremos na luta pela vida. Ou como disse certo autor: “... a idéia da morte, o temor dela persegue o animal homem como nenhuma outra coisa –  realmente, ela constitui um dos maiores incentivos da atividade humana em busca de uma vida no além”
         Entretanto, este ponto de visa não corresponde à realidade:
         Existe uma Real História das origens, dos processos, das necessidades do aparecimento das Ordens Iniciática na face da Terra. Porém , esta História está muito longe de ser conhecida pelo homem comum. Ela é propriedade, e somente é conhecida pelos Mestres; somente eles possuem o discernimento necessário para aprecia-la em todas suas causas e efeitos. Somente eles têm acesso aos anais destes Sistemas de desenvolvimento das Fraternidades de ontem, de hoje e de amanhã; e somente eles têm acesso ao copiosos e detalhado material das atividades, das crônicas e dos verdadeiros Nomes dessas Escolas. Como exemplo, podemos citar a maçonaria que, embora incluída no grupo das Ordens sérias, sua real saga ainda não foi totalmente esclarecida ao público – ainda mais: nem mesmo os próprios mações, com raríssimas exceções, a conhecem. Disto o enunciado de tantos disparates proferidos em suas Lojas e no mundo profano a respeito destas origens. O mesmo acontece com a OTO, onde vemos tolos e imbecis manterem histórias estapafúrdias quanto suas origens, onde aparecem até influências extraterrestres. Isto, porém, não tem muita importância agora, porquanto sendo especificamente a Maçonaria uma organização, criada pelos Mestres, para combater a Grande Feitiçaria, ela perdeu seus verdadeiros rumos ao não aceitar a Lei do Novo Aeon. Está ela, portanto, ultrapassada tanto quanto o Cristismo (seja Romano ou não). Tudo isto ficará bem claro para aqueles que se derem ao trabalho de estudar e meditar atentamente sobre as últimas descobertas realizadas no Mar Morto (veja-se “Os Manuscritos do Mar Morto”, John M. Allegro – Publicações Europa América). Aos que preferem continuar na ignorância de suas fantasias nada pode  ser feito...
         Para espanto de muitos, podemos dizer que as Três Escolas acima citadas fazem uma única e só organização no Grande Drama da Evolução.
         A própria Golden Dawn (Aurora Dourada) que floresceu na Europa no Século Passado e início deste, não foge a esta regra e, assim, por esta ou aquela razão, vamos encontrar lá pelo final do Sec. XIX, dois movimentos do ocultismo ortodoxo agitando profundamente o interesse dos europeus, sem citarmos aquela já célebre Fraternidade Rosa Cruz, descrevendo a vida de u7m personagem mítico chamado Christian Rozenkreutz. A “Fama”  e  o “Confessio” descreve sua vida e dá ligeira “história” da Ordem.
         Os dois movimentos foram:
a)    O Espiritismo
b)   A Teosofia, iniciada por H.P. Blavatsky em 1875.
 
Torna-se muito significativo o fato que em 1875, ano da fundação da Sociedade Teosófica, nascia em terra inglesas Aleister Crowley.
O aparecimento da Golden Dawn em âmbito público está marcado de muitas lendas. Sobre o assunto encontramos três versões. A que agora relatamos, é necessário dizer, pode ser a mais próxima da verdade, mas também pode constituir – quem o sabe? – a mais desavergonhada mentira.
Três membros da Sociedade Rosicruciana In Anglia e o Rev. A.F. W#oodford, amigo de Kenneth R.H. Makenzie (autor da “Enciclopédia Maçônica) foram, ao que parece, os iniciadores da ordem, mas é também provável que outros esoteristas tenham participado dos primeiros passos.
         Ao falecer em 1885, Fred Hockley, legou a Woodford alguns de seus documentos pessoais e, entre eles, singulares manuscritos cifrados. Woodford não se interessou muito inicialmente por estes papeis. Só muito tempo depois é que mencionou-os a seu amigo Westcott, que veio a estudá-los um ano mais tarde.
         Somente em 1887 os manuscritos estariam decifrados. Segundo Westcott isto não apresentou muita dificuldade, apenas trabalho. O interesse sobre tais documentos aumentou muito após sua decifração e o boato que eram rosacrucianos.; e muito mais tarde ainda pelo fato de serem um esboço de cinco rituais de características mágico-iniciáticas. Em um desses documentos encontrou-se um enderêço que, supunha-se pertencia a um Alto Iniciado: ANNA SPRENGEL, de Nuremberg, cujo nome iniciático era SAPIENS DOMINATUR ASTRIS (S.D.A.), quer dizer: A Apiência é Regida pelas Estrelas.
Já bastante entusiasmado, Westcott comunicou o fato a S.L. MacMathers (conhecidíssimo ocultista e mação de alto grau), excitadíssimo, Mathers, juntou-se a Westcott, cooperando com ele no fito de usar os rituais praticamente em trabalho de Loja. Isto muito alegrou a Westcott, e a eles juntou-se o Dr. W.R.Woodman para aquele mister.
Uma carta foi enviada à tal Anna Sprengel. A resposta não tardou a vir, dando início a uma volumosa correspondência. Logo em seguida à grande número de ensinamentos fornecido àquele grupo, os três homens receberam o Grau de Edeptus Exemptus, isto é, 7 º= 4 G.D., e uma Patente dava permissão e início da primeira Loja da Ordem fora do  Continente Europeu, trabalhando com os cinco rituais decifrados por Westcott.
Em 1891, sem qualquer explicação, toda aquela volumosa correspondência parou de ser enviada. Paralelamente, noticias da Alemenha informavam que:
Um ) Anna Sprengel havia falecido;
Dois) Não tendo sido, na época, a iniciativa de Sprengel aprovada por seus confrades;
Três) Instruções não seria mais enviadas para a Loja Inglesa, e que o Elo com os Mestres Secretos teria de ser formado por iniciativa e esforço dos próprios formadores daqueles Ramo, porquanto os ensinamentos administrados por S.D.A. eram suficientes para isto.
As notícias causaram grande alarde entre os iniciadores ingleses e, é claro, todos passaram a trabalhar no sentido de um contato com os Mestres Secretos.
Invencionice ou não, o fato é que Mathers foi o primeiro a declarar ter obtido este contato e que havia, assim, formado o Elo tão almejado. Baseado em novos rituais surgiu uma Ordem Interna – a R.R. et A.C. (Rosa Rubea et Aurea Crucis), o Poder Central Controlador daquele momento em diante de todas as atividades nos Templos e Loja da G.D. o qual era uma espécie dee “Câmara de Adeptos”.
Bem antes destes fatos terem acontecidos (1875), nascera Aleister Crowley, cujo pensamento renovador mudaria totalmente as antiquadas concepções da Magia Ritualística, do Misticismo e da Iniciação propriamente dita. E seria ele também o ponto focal de todas as peripécias pelas quais passaria a Ordem da Golden Dawn, até sua mutação futura.
Por natureza própria, o jovem Aleister Crowley sentia-se altamente atraído pelos assuntos esotéricos e, assim,  debruçou-se sobre os livros desta Ciência devorando-os todos. Eventualmente ao ler “NUVEM SOBRE O SANTUÁRIO”, avivou mais ainda sua procura no sentido de contatar aquela famosa Assembléia de Sábios, vulgarmente conhecida como a GRANDE FRATERNIDADE BRANCA.
Em 1898, sendo  iniciado na Golden Dawn, através convite e apresentação de seu particular amigo GEORGE C. JONES, Crowley tomou o Moto PERDURABO (eu  Perdurarei até o Fim). E isto ele cumpriu fielmente, embora nada houvesse no Fim para perdurar. (Observem que no final da palavra Perdurabo está a letra “O” (Ayin=Nada) ou Zero. A letra hebraica ayin significa, entre outras coisas, NADA, ÚTERO, O NÃO MANIFESTADO. Ela significa “Um Ôlho”, seu valor numérico é 70. Ayin representa absolutamente Nada, ou Nenhuma Coisa. É não manifestação pura e simples, e somente disto pode a Manifestação proceder. A reflexão de Nenhuma Coisa é Alguma Coisa, e isto está representado pelo número 1 (UM), Aleph, o Tolo do Tarô.
A vida de Crowley seguia seu rumo quanto em Abril de 1904, no Egipto (Cairo = El Kaira = O Vencedor), precisamente durante os dias 8, 9 e 10, Perdurabo, traz à luz LIBER AL vel LEGIS (o Livro da Lei) ditado diretamente de Aiwass, inaugurando o AEON DE HORUS e a LEI DE THÊLEMA.
AIWASS  e´identificado como sendo uma entidade praeter humana. Seu valor numérico sendo 418, o número da Grande Obra; enquanto AIWAZ (outra maneira de soletrar o nome) soma 93 (ver ZIVO), a Chave do Livro da Lei. Para compreender a natureza de Aiwass, talvez não seja muito errado imaginar este Daimon como similar aos Dhyan Chohans (Espíritos Planetário) que tiveram Blavatsky e outros Adeptos como canais para intercâmbio com a raça dos homens.
Mais ou menos na mesma época, A. Crowley, publica os Rituais da Golden Dawn, nos quais aparecem os personagens da Estela da Revelação e Liber AL, isto é, os Deuses Egípcios, Nuit, Ra-Hoor-Khuit,, Bes-Na-Maut e Ank-f-n-Khonsu, substituindo os Oficiantes (visíveis e invisíveis) do Templo. O ato de publicar os rituais da G. D. resultaram na destruição daquela Ordem.
Morre a Golden Dawn, ou melhor, Ela desaparece em sua forma anterior, mas desta morte nasce a A.´.A.´. que “administra” agora, sob a Baqueta de Horus, a evolução da humanidade nos próximos dois mil anos.
 
 
                                           
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[1] -Nota – A A.´.A.´. não retirou-se do plano físico, nem está adormecida neste momento, nem morta e seus Membros estão atentos para todo e qualquer falso iniciado que se diga ou que se tenha como membro da Ordem. Ela vive e atua neste e em outros planos. Ou mente descaradamente aquele que afirma ao contrário, ou nada sabe.
[2] - Nota – E , concomitantemente, muita idiotice também. Principalmente por indivíduos que se fazem passar por líderes de certas organizações espúrias, enganando aos menos esclarecidos.
[3] - Nota – Em alguns casos esta é a causa patente de alguns alucinados se apresentando como “líderes”  desta ou daquela organização “genuinamente” thelemica.
[4] - Nota –
[5] - Nota – Alguns idiotas procuram poderes “extraterrestres”.
 
[6] - Nota – Somente o Conhecimento não nos leva e estes níveis acima do cotidiano. Experiência e Sabedoria são imprescindíveis.
 
[7] - Nota – Um enorme número de imbecis se aproxima da “magia”  com estes intuitos. Pobres coitados, não sabem em que estão se metendo...
[8] - O porque disto torna-se evidente a qualquer iniciado.
[9]  - Nota – E mais este julgamento se reforçará, através das idiotices escritas por certos “Líderes”, que ultimamente têm aparecido no panorama thlelêmico em nosso país.