A
EVOLUÇÃO DA FÓRMULA
MÁGICA
Uma Fórmula Mágica é
uma exposição da percepção
de um fato cosmológico ou de
uma teoria. E pode ser tão
simples quanto ao axioma: ama
teu próximo como a ti mesmo;
comer uma maçã
diariamente mantém o médico
afastado; de grão
em grão a galinha enche o papo,
etc. Pode ser também uma exposição
ou grupo de símbolos revelando
o mecanismo de uma lei natural: como
embaixo assim é em cima;
Tudo é dor; Amor
é lei, amor sob vontade;
E=MC2; IHVH; IAO; Thelema.
Pode ser uma simples palavra que inicia
uma era inteira: Tao;
Anatta; INRI;
Aum.
Uma fórmula mágica desenvolve-se
de fórmulas antigas, tal como
a habilidade humana de perceber a
si mesma e ao crescimento do Universo.
Uma mudança na consciência
da raça humana necessita uma
mudança na fórmula mágica.
Não é que a antiga fórmula
não mais funciona, mas é
a nova que funciona melhor.
As obsoletas fórmulas do passado
não são necessárias
e completamente descartadas, mas são
sempre retificadas e finalmente ajustadas
para melhor harmonizar-se com a nova,
expandindo-se o entendimento da lei
natural e espiritual.
Usando um aparente não mágico
exemplo: um carpinteiro ou um padeiro procura determinar a área
de um círculo. Um grande magista
lhe revela que a área do círculo
pode ser determinada medindo-se o
raio do círculo, então
multiplicando-se este resultado por
si mesmo, e então multiplicando-se
o resultado pelo sagrado número
3. Naqueles antigos tempos esta
fórmula servia rudemente para
pequenos fins. Mas para maiores e
mais complexos projetos (tais como
templos, pirâmides, etc.) eram
necessários cálculos
mais precisos. Então o mundo
teve que esperar pela magia
do número (Pi). Na matemática,
se torna mais fácil resolvemos
um problema empregando a álgebra
do que usando o sistema da aritmética.
Todo estudante sabe muito bem disto.
Todo estudante sabe muito bem disto.
Uma vez que esta nova descoberta tornou-se
um conhecimento geral, o mundo modificou-se.
Embora este seja uma crua analogia,
suponho que o Aspirante pode ser como
ela se aplica à nosso contínua
evolução na percepção
de nós mesmos e de nosso lugar
no Universo.
A
FÓRMULA DA NOVA ERA
Grandes períodos espirituais
(Eras ou Aeons) são caracterizados
por suas fórmulas mágicas.
Isto é muito mais importante
e fundamental ao entendimento da Magia
em geral e da Magia Thelemica em particular,
pois o nosso planeta entrou em um
Novo Período, uma Nova Era,
um Novo Aeon.
A Era de Aquarius-Leo, profundamente
significante como é, é
somente um aspecto de uma maior nova
era espiritual (estes aeons mágicos
não necessariamente coincidem
com os períodos astrológicos,
e, de acordo com Crowley, eles podem
ser variáveis). Uma melhor
idéia, uma mais mágica
perspectiva, pode ser alcançada
se, ao invés de considerarmos
as eras como épocas meramente
astrológicas, nós as
olharmos como deuses.
Crowley reconhecer nos três
principais deuses do Egito: Ísis,
Osíris e Hórus, as fórmulas
características dos últimos
aeons mágicos.
O Aeon atual, o de Hórus, sucedeu
o Aeon de Osíris, que por sua
vez sucedeu o Aeon de Ísis.
Cada aeon está caracterizado
pelo nível de entendimento
da natureza prevalecente da própria
pessoa, isto é, do homem, e
dita a variedade da expressão
mágica e religiosa que domina
esses períodos.
O
AEON DE ÍSIS
A fórmula da Grande Deusa:
É bastante difícil determinar
precisamente quando o aeon da fórmula
de Ísis começou, pois
suas fundações jazem
na nebulosa pré-história.
Entretanto, podemos, com bastante
relatividade, aventurar localizar
o evento como tendo sido aproximadamente
2.400 anos a. C.
Foi a Era da Grande Deusa, e em nenhum
lugar foi ela tão venerada
do que na cidade Sumeriana de Uruk,
onde o magnífico templo de
Innana (Ishtar) dominava a grande
primeira cidade da civilização.
Focalizar exclusivamente a Suméria,
pode ser um erro grave pois, sem dúvida,
o culto da Grande Deusa era Universal.
Ela era adorada por incontáveis
culturas sob vários nomes e
formas. Seria também um erro
concluir que a fórmula mágica
deste período manifestou-se
exclusivamente através da adoração
de qualquer particular deidade feminina
antropomorfisada, pois, como todo
aeon, a fórmula mágica
do aeon de Ísis foi fundada
sobre a interpretação
humana dos fatos percebidos
da natureza, e nossos progenitores
da idade Isíaca percebiam a
natureza como um contínuo processo
de crescimento expontâneo.
Nos obscuros inícios do Aeon,
os seres humanos eram ignorantes da
lei da causa e efeito do sexo e do
nascimento. Isto é, eles não
conseguiam ligar uma coisa à
outra. A vida lhes parecia surgir
somente da mulher. O sangue fluía
inexplicavelmente de seu corpo no
mesmo ciclo da lua. E quando este
ciclo de fluxo sangüíneo
era interrompido, seu ventre crescia
por nove luas até que a nova
vida nascia. Ela então continuava
a nutrir esta vida com seu leite,
o sangue branco de seus seios, e sem
esta nutrição, dada
diretamente de seu corpo, a nova vida
perecia.
Nada podia equiparar-se com o poder
da mulher. Dela toda vida procedia
e sem ela nenhuma vida aparecia. Como
a lua, ela mesma, a mulher vivia três
ciclos: o ciclo da jovem, da mãe,
e da velha; fertilidade, sustento
e sabedoria. Uma vez a criança
desmamada, a própria terra
tornava-se a mãe substituta,
diretamente provento a carne o sangue
de animais e plantas para seu sustento.
Mãe era a vida. Terra era mãe.
DEUS ERA MULHER. Morte era um mistério
que não podia ser resolvido
e nem compreendido ou suplantado.
Esta fundamental percepção
da natureza persistiu mesmo após
o mistério da origem dos bebês
Ter sido resolvido. O matriarcado
e o canibalismo dominavam este período,
mas mesmo após a ascensão
dos deuses guerreiros, a fórmula
essencial da Deusa continuou. Mas
o aeon de Ísis sobreviveu somente
enquanto a humanidade foi dominada
pela percepção que a
vida e o necessário nutrimento
vinha da Terra e da Mulher.
Uma clara percepção
do universo evolui e conseguiu usurpar
a fórmula de Ísis e
iniciou uma nova era cultural e religiosa.
Nesta era o foco foi tirado da Terra
para o Sol como fonte de toda Vida,
e dos mistérios do nascimento
para os mistérios da morte.
Nós até agora sabíamos
de onde vinham as crianças;
agora nós queríamos
saber onde íamos ao morrer.
O
AEON DE OSÍRIS
A Fórmula do Deus Morto: Pode
ser dito que o Aeon de Osíris
começou quando o homem e a
mulher tornaram-se cientes do Sol,
e reconheceram que a fertilidade da
Terra (e consequentemente suas vidas)
dependia diretamente do poder vitalizante
da luz solar. O segredo da vida era
agora percebido como uma associação
do Sol e da Lua, e nossos ancestrais
viram esta associação
refletidas neles próprios:
homem e mulher, phallus e kteis, pai
e mãe. Quando tornou-se universalmente
conhecido que sem o Sol, a Terra parecia
e sem o sêmen de um homem, uma
mulher permanecia infecunda, a consciência
e atitude humana mudou radicalmente.
A Fórmula de Ísis foi
alterada; a mulher dava nascimento
a vida, mas a Vida vinha do Sol. Deus
agora era Pai.
Esta nova iluminação
resultou num inédito avanço
na civilização. Armado
com o conhecimento solar dos ciclos
das estações, os agricultores
da era Osiriana começaram o
cultivo organizado de grãos.
Cidades ergueram-se, e com estas economias
e exércitos das grandes nações-estado.
O Patriarcado suplantou o Matriarcado,
e as deusas de incontáveis
culturas tornaram-se esposas
das novas divindades masculinas.
Mas inerente a esta fórmula
estava um terrível mistério,
um fator que não era uma Parte
da fórmula do inocente Aeon
de Ísis; uma escura realidade
que se tornaria uma desgastante preocupação
(ou como dizem, insana) do Aeon de
Osíris: a Morte.
Foi percebido como um incontável
fato que o Sol, a fonte de toda vida,
nascia todo dia no horizonte oriental
e viajava através do céu,
doando sua luz e vida sobre a Terra.
Também foi observado que este
grande progenitor morria
todo dia no ocidente, mergulhando
o mundo numa fria escuridão;
uma escuridão que evocava instrospecção
e medo. Para onde ia o Sol? Será
que reapareceria no dia seguinte?
Cada noite após a morte
do Sol, nossos antigos ancestrais
osirianos caíam em um agitado
sono, e dormindo viviam uma outra
vida, uma estranha vida, povoada com
outros homens e mulheres, e cheias
de impossíveis maravilhas e
horrores. Animais mortos durante a
caça, parentes mortos, inimigos,
e camaradas, tudo vivia outra vez
neste outro mundo dos sonhos. Seria
para este lugar que o Sol ia toda
noite? Era esta a Terra dos Mortos?
Claro que a tenebrosa noite não
durava para sempre e um novo
Sol aparecia com confortável
regularidade cada manhã para
conquistar a escuridão e assegurar
a continuidade da vida. Porém,
mais tarde, observadores do Sol mais
sofisticados experienciariam uma maior
inseguridade quando observaram que
períodos da luz solar (tal
como o verão move-se para o
inverno) resultavam no decréscimo
ou cessação da fecundidade
da Terra. Sem luz solar, não
havia grãos. E isso era sério.
O ciclo solar diário mostrava
que o Sol era capaz de total desaparecimento
do céu. Mas diferentemente
do pequeno período de escuridão
do ciclo diário. Era impossível
dizer o quanto duraria uma grande
noite se o Sol experienciasse uma
morte anual. Subitamente toda vida
deveria findar na gelada escuridão
de uma eterna noite.
Infundados como estes medos eram,
estavam baseados solidamente sobre
uma realidade percebida, e o trauma
tornou-se indelevelmente impresso
sobre a psique da raça humana.
Esta realidade por seu
turno, formou a fundação
da fórmula mágica do
Aeon de Osíris, a Fórmula
do Deus Morto.
O Sol, o Pai de toda Vida, atravessava
um período triplo de nascimento
(vida, morte e ressurreição).
A humanidade, vendo-se também
mortal, acreditava que seguindo a
fórmula mágica ou religiosa
do Sol, ela também poderia
ser eleita para a ressurreição.
Que fórmula era esta?
Para toda parte que nossos ancestrais
osirianos olhavam, eles viam o drama
do Deus Morto atuando. O fazendeiro
observava os efeitos fertilizantes
que sangue e carne deteriorava tinham
sobre o solo; e que as sementes (que
vinham de plantas vivas no verão
e no outono) morriam e eram enterradas
durante todos os meses de inverno,
e então milagrosamente ressuscitavam
como novas plantas na primavera. Era
uma óbvia e inevitável
verdade: sem morte não havia
vida.
Não morre o Sol cada noite
e cada inverno para poder renascer?
A semente não se oferece à
Terra para poder ressurgir como uma
nova planta? Não é verdade
que após a ejaculação
o pênis sacrifica sua potência
para fertilizar o óvulo e perpetuar
a raça?
Vida vinda da morte era um fato, e
para assegurar que as bênçãos
da vida pudesse vir da morte, nossos
ancestrais osirianos acreditavam que
deviam tomar uma ativa parte no grande
ritual vida/morte. E para este fim
iam para os topos das montanhas e
lugares altos. Juntavam pedras e construíam
altares e ali ofereciam sacrifícios
aos deuses.
Obviamente o grande mito cultural/religioso
dos Egípcios era literalmente
osiriano em natureza, mas no alvorecer
da Era Astrológica de Peixes
(aproximadamente 260 a.C.), a fórmula
do Deus morto cristalizou-se como
o mito central de incontáveis
culturas e civilizações.
Os deuses dos grandes cultos de mistério(Orpheus,
Hércules, Dionísio,
Attis, Adonis, mais tarde Cristo),
morriam e ressucitavam. A história
de Persephone, a figura central dos
Mistérios Eleusianos, que floresceram
por dois mil anos, é um exemplo
perfeito da evolução
da Fórmula da Grande Deusa
para aquela do Deus Morto.
Estes cultos eram profundamente populares.
Para assegurar a própria ressurreição
era necessário ser um iniciado
e seguir a fórmula divina de
catástrofe , amor, morte e
ressurreição.
Parcialmente moldada após estas
escolas de mistério, o Cristianismo
ortodoxo ergueu-se tonando-se a influência
espiritual e política no mundo
pelos últimos dois mil anos.
A fórmula de sacrifício
nasceu da enganosa crença que
o Sol nascia e morria
ao entardecer. Uma mais acurada percepção
do Universo está agora sendo
visitada pela humanidade. Nós
sabemos que o Sol não se ergue
(nasce) e nem decai (morre).
Ele não viaja para
o norte no verão e nem dirige-se
para extinção, durante
o inverno, no sul. (Isto porque o
hemisfério norte, para o sul
é exatamente contrário).
O Sol permanece fulgindo por todo
o tempo. A luz é contínua.
A morte do Sol é meramente
uma ilusão de ótica,
um jogo de luz e sombra.
Os mitos do Sol e do Deus Morto foram
mitos criados, em parte, para ajudar
nossos ancestrais vencerem o medo
da escuridão e o pavoe da morte.
A errônea percepção
do Universo que iniciou o Aeon de
Osíris mudou para sempre. A
fórmula foi retificada. Não
há necessidade de temer a escuridão
da noite. Não há necessidade
de temer a morte.
O
AEON DE HÓRUS
A fórmula da Criança
Coroada e Conquistadora: Como a criança
é o produto físico e
genérico se seus pais, assim
também o Aeon de Hórus
reconcilia e transcende as fórmulas
dos Aeons anteriores. Desde a vira
do século, nós temos
visto a queda do colonialismo e a
destruição dos últimos
vestígios da patente regra
dos reis da Europa. O poder temporal
do Papa já era, e a ilusão
do onipotente poder espiritual das
igrejas se diluiu ante o poder da
esperança de reavivamento.
A Fórmula do culto da mãe
Terra do Aeon de Ísis (violentamente
reprimida durante o Aeon de Osíris)
tem sido transformada pela evolução
de nossa consciência, ressurgindo
como movimento de proteção
ao meio ambiente (ecologia). Feminismo
e a ressurgência do culto da
Deusa ( no caso do cristianismo, a
adoração
a Virgem Maria. Na Umbanda, Yemanjá).
Estes movimentos tem sido vistos pelas
instituições osirianas
estabelecidas como exemplos blasfemos
de anarquia espiritual e degeneração
da humanidade. E assim eles cruamente
destorcem suas próprias escrituras
para profetizar uma inevitável
conflagração purificadora
que irá restabelecer uma eterna
regra Osiriana.
Enquanto uma certa quantidade de conflito
seja inevitável (como acontece
no começo de qualquer era),
o resultado certamente não
será um retorno à fórmula
passada. De pé, como nós
estamos, ante o limiar do Aeon de
Hórus, o que observamos acontecendo
no mundo é mais precisamente
um estado de preparação.
Mas é o natural resultado dos
interesses do velho aeon resistindo
ao estabelecimento do novo. É
muito semelhante aos choques que as
famílias experimentam quando
uma criança cresce e finalmente
torna-se adulto e abandona sua casa.
Eventualmente os pais aceitam o inevitável
e, em muitos casos, formam uma nova
e suportável relação
com o jovem.
Nós somos os jovens que tornaram-se
recentemente auto-consciente. Nós
ainda amamos nossas mães e
nossos pais, mas nós sabemos
que jamais seremos felizes enquanto
formos uma extensão das vidas
de nossos pais ou estivermos presos
aos padrões de vida deles.
Agora que estamos conscientes da continuidade
da existência, agora que nós
reconhecemos o indivíduo como
a básica unidade da sociedade,
nós jamais retornaremos às
incompletas percepções
do passado.
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