Carta
a um Maçom
Marcelo
Ramos Motta
Texto
Integral
-------
1963-------
Rio
de Janeiro, 9 de julho de 1963.
Caro
Dr. G.:
Faze
o que tu queres há de ser tudo da
Lei.
Li,
com maior prazer, a entrevista concedida
ao Diário de Notícias, através da
qual o Grande Oriente do Brasil manifesta à nação a sua intenção de,
finalmente, fazer com que a Maçonaria
venha a ocupar na vida brasileira
o papel que lhe cabe e sempre lhe
coube desde a Independência -- que,
como todos sabemos, foi feita por
mações.
Relembrei nessa
ocasião minha conversa com o senhor,
e as nossas palavras de despedida,
nas quais buscou o senhor gentilmente
trazer à minha atenção o fato de que
(na sua opinião) a Igreja Católica
Romana é uma boa introdução à vida
adulta para crianças. Eu lhe disse
então: "Mas a Maçonaria é infinitamente
melhor", e aproveito esta oportunidade
para repetir e ampliar estas palavras.
Eu não quis discutir
a validade ou falta de validade da
Igreja Romana como campo de treino
para crianças, porque não é assunto
que se possa, propriamente, discutir.
É assunto que deve -- repito, deve
-- ser pesquisado por todo homem consciencioso
e responsável, principalmente por
maçon de alto grau e no Brasil, onde
essa Igreja teve tanta influência
na formação psíquica do povo -- com
os resultados que estamos vendo no
presente.
Para esta pesquisa,
vitalmente necessária a todos os maçons
neste momento de transição, é necessário
uma análise cuidadosa da evidência
espalhada pelas obras de muitos pesquisadores
imparciais e fidedignos; e isto não
pode ser resumido numa breve discussão.
Eu estou a par dos fatos; o senhor
não estava, na ocasião; e afirmativas
de minha parte teriam forçosamente
de parecer ao senhor opiniões arbitrárias
e caprichosas, principalmente por
o senhor, com certeza, suspeitar de
mim e de minhas intenções. Telemitas
não são mais benquistos no momento
do que o foram os gnósticos e os essênios
em seu tempo!
A finalidade desta
carta é expor, de maneira mais ordeira
e clara, minhas conclusões, e citar
as obras nas quais me baseio; de forma
que o senhor possa, se quiser, consulta-las
e tirar suas próprias conclusões,
que podem ou não virem a coincidir
com as minhas. Peço-lhe apenas que,
tendo lido a minha carta; examinado,
se lhe aprouver, as fontes nela citadas;
e chegado, porventura, à conclusão
de que são ambas de valor a seus irmãos
maçons, transmita-lhes a carta assim
como as fontes, para que, por sua
vez, tenham a oportunidade de examinar,
ponderar, e julgar.
Devo começar por
repetir-lhe o que lhe disse por ocasião
de nossa conversa, e que tanto chocou
seus bons sentimentos e sua honesta
devoção: que o homem chamado "Jesus
Cristo" nos Evangelhos nunca
existiu. Suas peripécias são fictícias;
não padeceu sob nenhum Pôncio Pilatos;
não foi nem poderia jamais ser a única
Encarnação do Verbo; e qualquer Igreja,
seita ou pessoa que diga o contrário
ou está enganada ou enganando.
Não quero dizer
com isto que um homem assim não pudesse
ter nascido, pregado, e padecido.
Pelo contrário: tais homens nascem
continuamente, e continuarão a nascer
por todos os tempos: Encarnações do
Logos, Templos do Espírito Santo,
Cruzes de Matéria coroadas pela chama
do Espírito.
Direi mais: houve,
em certa ocasião, um homem que alcançou
no mais alto grau a consciência de
sua própria Divindade; e este homem
morreu em circunstâncias análogas
(porém não idênticas!) àquelas narradas
nos Evangelhos. Seu nascimento perdeu-
se na noite dos tempos: ele foi o
original do "Enforcado"
ou "sacrificado" no Taro,
e os egípcios o conheciam pelo nome
de Osiris. Foi esse Iniciado quem
formulou na carne a fórmula do Deus
Sacrificado. Esta é a fórmula da Cerimônia
da Morte de Asar na Pirâmide, que
foi reproduzida nos mistérios de fraternidades
maçônicas da tradição de Hiram, das
quais o exemplo mais perfeito foi
o Antigo e Aceito Rito Escocês. O
Graus 33º desse rito indicava uma
Encarnação do Logos; a descida do
espírito Santo; a manifestação, na
carne, de um Cristo; a presença do
Deus Vivo.
Para os fatos que
servem de base às asserções acima,
indico ao senhor as seguintes obras,
de maçons ilustres e merecedores:
LA MISA Y SUS MISTERIOS, de J.M.
Ragón.
THE ARCANE SCHOOLS, de John Yarker.
DO SEXO À DIVINDADE, do Dr. Jorge
Adoum.
CURSO FILOSÓFICO DE LAS INICIACIONES
ANTIGUAS Y MODERNAS, de J.M.Ragón.
ISIS DESVELADA, de Helena Blavatsky, seção sobre o Cristianismo. Mme Blavatsky
não era dos vossos, mas era dos Nossos...
Na minha opinião,
Dr. G., um maçon de alto grau, com
tempo a seu dispor, faria um grande
benefício a seus irmãos ao traduzir
para o português as obras acima citadas,
principalmente as duas primeiras.
Os documentos incluídos
no assim-chamado "Novo Testamento"
(a saber, os Quatro Evangelhos, os
Atos, as Cartas e o Apocalipse) são
falsificações perpetradas pelos patriarcas
da Igreja Romana na época de Constantino,
por eles chamado "o Grande"
porque permitiu esta contrafação,
colaborando com ela. Constantino não
teve sonho algum de "In Hoc Signo
Vinces". Tais lendas são mentiras
desavergonhadas inventadas pelos patriarcas
romanos dos três séculos que se seguiram,
durante os quais todos os documentos
dos primórdios da assim-chamada "Era
Cristã" existentes nos arquivos
do Império Romano foram completamente
alterados.
O que realmente
aconteceu na época de Constantino
foi que, aliados, os presbíteros de
Roma e Alexandria, com a cumplicidade
dos patriarcas das igrejas locais,
dirigiram-se ao Imperador, fizeram-lhe
ver que a religião oficial era seguida
apenas por uma minoria de patrícios,
que a quase totalidade da população
do Império era cristão ( pertencendo
às várias seitas e congregações das
províncias ); que o Império se estava
desintegrando devido à discrepância
entre a fé do povo e a dos patrícios;
que as investidas constantes das seitas
guerreiras essênias da Palestina incitavam
as províncias contra a autoridade
de Roma; e que, resumindo, a única
forma de Constantino conservar o Império
seria aceitar a versão Romano-Alexandrina
do Cristianismo. Então os bispos aconselhariam
o povo a cooperar com ele; em troca,
Constantino ajudaria os bispos a destruirem
a influência de todas as outras seitas
cristãs!
Constantino aceitou
este pacto político, tornando a versão
romano- alexandrina de Cristianismo
na religião oficial do Império. Consequentemente,
a liderança religiosa passou às mãos
dos patriarcas romano-alexandrinos,
que, auxiliados pelo exército do Imperador,
começaram uma "purgação"
bem nos moldes daquelas da Rússia
moderna. Os cabeças das seitas cristãs
independentes foram aprisionados;
seus templos, interditados; e congregações
inteiras foram sacrificadas nas arenas
das províncias de Roma e Alexandria.
Os gnósticos gregos, herdeiros dos
Mistérios de Eleusis, foram acusados
de práticas infames por padres castrados
como Orígenes e Irineu (a castração
era um método singular de preservar
a castidade, derivado do culto de
Atis, do qual se originou a psicologia
romano-alexandrina). Os essênios foram
condenados através do hábil truque
de fazer dos judeus os vilões do Mistério
da Paixão; e com a derrota e dispersão
finais dos judeus pelos quatro cantos
do Império, a Igreja Romano-Alexandrina
respirou desafogada e pode dedicar-se
completamente ao que tem sido sua
especialidade desde então: ajudar
os tiranos do mundo a escravizarem
os homens livres.
Para o escrito acima,
indico ao senhor os seguintes livros:
ISIS DESVELADA, de Blavatsky, seção
sobre o Cristianismo
OUTLINES ON THE ORIGIN OF DOGMA, de
Adolf von Harnack.
DECLINE AND FALL OF THE ROMAN EMPIRE,
de Gibbon.
THE AGE OF CONSTANTINE THE GREAT,
de Burckhardt.
Quanto às falsificações
da Igreja Romano-Alexandrina, indico
ao senhor as palavras do grande erudito
americano Moses Hadas, em suas notas
à tradução do livro de Burckhardt,
à página 367, que passo a traduzir:
"A História
Augusta apresenta biografias de imperadores,
cézares e usurpadores, de Afriano
a Numério (117-284), com uma lacuna
no período de 244 a 253. Pretende
ser o trabalho de seis autores (Aelius
Spartianus, Vulcacius Gallicanus,
Aelius Lampridius, Julius Capitolinus,
trebellius Pollius e Flavius Vopiscus),
e ter sido escrita entre os reinados
de Diocleciano e Constantino, ou cerca
de 330. Alguns estudiosos creêm tais
asserções verdadeiras, mas outros
mantêm que a obra foi escrita um século
mais tarde, e por uma só pessoa. Em
tal caso o nome dos seis autores terá
sido adicionado para tornar mais convincente
o que foi escrito.
Trocando em miúdos,
o que ele quer dizer é o seguinte:
os patriarcas romanos, ansiosos por
esconder seus crimes (especialmente
a perseguição a cristãos de outras
seitas ou igrejas) e por se declararem
os únicos cristãos verdadeiros, destruíram
todos os documentos autênticos nos
quais conseguiram por as mãos. (Isto
lhes era particularmente fácil já
que, desde a era de Constantino, eles
foram os guardiães de tais manuscritos.)
Feito isto, substituíram os destruidos
por outros, forjados, que descreviam
a sua clique como oprimida pelos imperadores
e outras seitas cristãs como inexistentes
ou obscenas. (Na realidade, ela bajulara
os imperadores desde o começo: o culto
de Átis era o único em Roma ao qual
os patrícios podeiam ir legalmente.)
Um pouco mais tarde,
Romanos e Alexandrinos brigaram. Isto
porque cada facção queria fazer de
sua cidade o centro político e religioso
do Império. Foi então que um dos poucos
historiadores pagãos que escaparam
à atenção dos Patriarcas escreveu:
"As atrocidades dos cristãos
uns contra o outros ultrapassa a fúria
das bestas selvagens contra o homem."(Ammianus
Marcellinus)
O capítulo final
da disputa foi a divisão do Império
em Romano e Bizantino. Desde então,
a Igreja Romana tem se chamado "Católica",
e a Bizantina, "Ortodoxa".
Ambas, é claro,
um amontoado de mentiras.
Qual o motivo, o
senhor perguntará, para essa perseguição
impiedosa às seitas gnósticas e essênias?
No caso dos essênios,
as razões foram políticas e dogmáticas.
Aproximadamente um século antes do
assim-chamado "Ano Um" nascera
na Palestina um rabi, cujo nome é
desconhecido (embora alguns estudiosos
presumam ter sido Ionas, ou Jonas).
Ele criou um novo sistema de Essenismo,
fundando muitos ramos dessa fraternidade
judeo-cóptica, e adquirindo um grande
número de seguidores na Ásia Menor.
Muitos documentos foram escritos acerca
dos incidentes de sua vida e doutrina.
Foi um Adepto Cristão, ou seja, defendeu
a tese de que todo homem é um Templo
do Deus Vivo; deu testemunho do Logos
e do Espírito Santo, e tal foi seu
impácto no pensamento religioso de
sua época que os patriarcas romano-alexandrinos,
ao escreverem a "história de
Jesús Cristo", foram forçados
a incluí-lo, para evitar suspeitas.
Chamaram-no de "João Batista"...
Acerca deste:
THE DEAD SEA SCROLLS, AN INTRODUCTION,
de R.K.Harrison.
Também este livro
deveria ser traduzido para o português
por um maçon!
Abaixo, cito uma
passagem atribuída a esse iniciado,
extraída de um manuscrito cóptico
intitulado "Evangelho de Maria",
apócrifo, desde 1896 no Museu de Berlim.
Depois de haver explicado vários pontos
de sua doutrina, ele se despede de
seus discípulos:
"... Quando o Abençoado havia
dito isto, ele saudou a todos, dizendo:
'Paz seja convosco. Recebei minha
paz para vós mesmos. Cuidai-vos de
que nenhum vos desvie com as palavras
"olha alí" ou "olha
lá", pois o Filho do Homem está
dentro de vós. Seguí-o: aqueles que
o buscam o encontrarão. Ide, pois,
e pregai a Boa Nova do Reino. Eu não
vos deixo nenhuma regra, salvo o que
vos recomandei (Amai-vos uns aos outros),
e eu não vos dei nenhuma lei, qual
fez o legislador (Moisés), para evitar
que vos sentísseis obrigados por ela.'
E uando acabou de dizer isto, ele
foi embora."
(Gnosticism, An Anthology, ed. Robert
M. Grant, Collins, London, pp. 65-66,
"The Gospel of Mary")
Esta passagem pode
ser comparada a muitas outras nos
Evangelhos nas quais, quando interrogado,
"Jesús" diz explicitamente:
"O Reino de Deus está dentro
de vós."
E que razão tinham
os Romanos e Alexandrinos para perseguir
e exterminar os gnósticos gregos?
Desta feita o motivo
era puramente dogmático. Na época
posteriormente atribuída pelos patriarcas
ao "nascimento de Jesús Cristo",
um iniciado grego deu vida nova aos
mistérios de Apolo e Diôniso, restabeleceu
o culto ao Sol Espiritual e ao Logos,
praticou maravilhas taumatúrgicas
e, em suma, causou tal impressão que
os Romano- Alexandrinos foram forçados
a incorporar diversos "milagres"
em sua miscelânia evangélica, de forma
que o seu "Jesus" pudesse
igualar os prodígios atribuídos a
Apolônio de Tyana. Ao mesmo tempo,
afirmaram que Apolônio de Tyana havia
sido enviado por "Satã"
para reproduzir os milagres de "Jesús"
e assim desviar as pessoas do "verdadeiro
Cristo". destruiram também, sistemáticamente,
todos os documentos autênticos da
vida de Apolônio, salvo um, a fantástica
e inacreditável Vita, atribuída a
um pretenso "discípulo"
desse grande Adepto.
Novamente lhe indico
ISIS DESVELADA, e o artigo "Apollonius"
na Enciclopédia Britânica.
Devo aqui, Dr. Gastão,
apender um parêntese um pouco prolongado,
de forma a estabelecer a maneira pela
qual o Catoliscismo Romano difere
do verdadeiro Cristianismo. Para este
fim, começarei por apresentar um dos
poucos textos que nos chegaram quasi
sem alterações cometieas pelos patriarcas
de Roma e Alexandria. As moificações
relevantes vão comentadas entre parenteses,
e o texto, apresento o original, intato.
É o Intróito do Evangelho de "São
João":
"No princípio
era o Verbo. E o verbo estava com
Deus, e o Verbo era Deus.
"Ele estava
no princípio com Deus.
"Todas as coisas
foram feitas por intermédio dele,
e sem ele nada do que foi feito se
fez.
"A vida estava
nele, e a vida era a luz dos homens.
"A luz resplandece
nas trevas, e as trevas não o escondem
( isto é, não escondem o fato que
a luz brilha nelas!).
"Houve um homem
enviado por Deus, cujo nome foi Jonas
(Johannes no original em grego).
"Ele veio como
testemunha da luz, a fim de todos
virem a crer por intermédio dele.
"Ele não era
a luz, mas veio para dar testemunho
da luz: a saber, a verdadeira luz
que, vinda ao mundo, ilumina todo
homem.
"Estava no
mundo, o mundo foi feito por intermédio
dela, mas o mundo não a conheceu (
no masculino na Vulgata, para sugerir
"Jesús").
"Veio para
o que era seu, e os seus não a receberam
( idem).
"Mas, a todos
quanto a (idem) receberam, deu-lhes
o poder de serem feitos filhos de
Deus ( e aqui os Romanos-Alexandrinos
acrescentaram: a saber, os que crêem
no seu nome, isto é, no "Jesús"
que eles inventaram para servir aos
seus propósitos), os quais não nasceram
do sangue, nem da vontade da carne,
nem da vontade do homem, mas de Deus.
"E o Verbo
se fez carne, e habitou em nós ( a
Vulgata aqui põe "entre",
o que muda totalmente o sentido da
passagem) cheio de graça e verdade,
e vimos a sua glória, glória como
a do primogênito do Pai ( o primogênito
do Pai é, claro, Chokmah, o Verbo
Espiritual, a Primeira Emanação do
Ancião dos Dias, Kether. "Primogênito"
também traz à lembrança o "mais
velho dos filhos de Deus", Lúcifer
ou Satã."
Na versão acima,
original, desse documento cristão,
e nas interpolações introduzidas pelos
romanos-alexandrinos, Dr. G., tem
o senhor o sumário e a base do dógma
católico romano.
Jonas, Apolônio,
Simão ( Simão Pedro e Simão o Mago;
a isto aludiremos depois), Adeptos
cristãos, ensinaram todos os três:
"Vós sois o Templo do Deus Vivo.
Contemplai a Luz dentro de vós, e
sabei que sois Filhos da Luz!"
Repetidamente esta
mensagem é encontrada nos Evangelhos;
mas sempre deformada, condicionada
ou "explicada" pelas interpolações
e teologismos romano- alexandrinos.
O resultado é que, algumas vezes,
"Jesús" fala como um santo,
como uma verdadeira Encarnação do
Verbo; o mais das vezes, porém, como
fanático e sectarista. Contradições
deste tipo abundam.
Este é o resultado
das alterações a interpolações dos
romanos e alexandrinos. Copiaram,
adaptando-os às suas necessidades
político-financeiras, os documentos
essênios que descreviam as pregações
de Jonas ( entre outros, o "Sermão
da Montanha"). Inseriram "milagres"
do tipo atribuído a Apolônio de Tyana.
Arranjaram um Mistério da Paixão em
drama nos moldes dos cultos de Mitras,
de Adonis, de Átis, de Diôniso e de
Oannes -- o que era necessário para
tornar o seu "Jesús" numa
Encarnação do Logos do Aeon de Osiris,
o Deus Sacrificado. Tão cuidadosamente
misturaram a verdade e mentira que
durante quase mil e seiscentos anos
todo cristão que procurou encontrar
o Verbo em si mesmo -- o único lugar
onde pode ser encontrado -- deparou,
nos portais de sua alma, com este
fantasma insidioso, esta blásfema
quimera, este pesadelo teológico:
"Nosso Senhor Jesus Cristo".
"Adora-me!"
-- diz o Egrégora -- "Eu sou
o filho de Deus. Tu não és nada mais
que uma criatura sem valor e pecadora,
condenada desde o nascimento e destinada
ao inferno não fosse por meu sacrifício;
e sem mim nunca alcançarás o céu."
Talvez o senhor
comece a compreender agora, Dr. G.,
a natureza daquilo a que nós chamamos
a Grande feitiçaria?
Após mil e seiscentos
anos de vitalização por multidões
de adorantes, e a absorção das cascas
vazias de padres, freiras e fanáticos
que se deixaram vampirizar por ele,
o Egrégora existe no assim-chamado
plano astral; e é um demônio, quer
dizer, uma entidade ilusória. Não
é um verdadeiro Microcosmo, mas uma
gestalt de cascões vitalizados, um
foco para tudo que há de negativo,
derrotista, piegas, preconceituoso
e introvertido na natureza dos cristãos:
um lodaçal completamente hostíl ao
progresso e á evolução espiritual
deles.
E, no entanto, nada
há mais sagrado ou puro do que está
oculto neste nome, "Jesus Cristo"...
É um híbrido dos títulos pelos quais
os cabalistas essênios e os gnósticos
gregos, respectivamente, chamavam
o Iniciado que alcançasse a esfera
de Tiphareth, o Filho -- ou seja,
a "sephira", ou "plano"
de consciência que em Nosso sistema
corresponde ao grau de Adeptus Minor,
e, no Rito Escocês, ao 33º grau.
Cristo, Chrestos,
significa "Bom" e "ungido".
Este era um título nobre nos Mistérios
de Eleusis. O Iniciado tem sempre
sido um sacerdote-rei desde a antiguidade;
a superstição absurda do "direito
divino hereditário" dos reis
foi outra adulteração dos romanos-alexandrinos
para ajudar aos tiranos que os apoiavam.
Seria realmente fácil se a verdadeira
realeza, dura recompensa da Iniciação,
pudesse ser transmitida por métodos
dinásticos, ou conferida por um papa!
Para fazer justiça a este tema um
volume inteiro seria necessário; diremos
apenas que os símbolos tradicionais
da realeza são os símbolos da completa
iniciação. O Cetro representa o Falo,
a imagem material do Verbo; o Globo
e a Cruz são formas da Cruz Ansata,
o símbolo da imortalidade conferida
pela Iniciação ( mostra a mulher "dominada"
pelo homem, ou seja, satisfeita pelo
homem....); a Coroa é Kether, o Sahashara
Cakkram em completo funcionamento,
a Primeira Sephira, o Ancião dos Dias,
o Pai; o Manto Púrpura ornado de estrelas
ou flores representa o Céu Noturno,
a Aura do Sacerdote de Nuit; e finalmente,
as roupagens rubro-douradas são o
símbolo do Corpo Solar, o Corpo de
Glória do Iniciado -- vermelho e ouro
sendo as cores heraldicas do sol.
Quanto ao nome "Jesús",
é escrito em hebraico IHShVH ( pronuncia-se
Jehêshua). Note que isto é IHVH (
Tetragrammaton ) com Shin (Sh) intercalada.
Shin é a letra que representa a um
só tempo os elementos Fogo e Espírito,
e, estando no centro de IHVH, equilibra
as Quatro Forças Elementais Cegas
do Demiurgo. Jeová -- a Palavra de
Moisés -- torna-se Jeheshua -- a Palavra
de Jonas. Nesta Palavra o senhor tem
o Deus Crucificado, Dr. G.: nela o
Pentagrama, o Sinal do Homem, a Estrela
Flamejante do Santuário; nela a chave
cabalistica do Tetragrammaton Cristão,
INRI, que significa, entre outras
coisas, Igne Natura Renovatur Integra,
ou seja: Pelo Fogo (do Espírito Santo)
a natureza se Renova Inteiramente...
A diferença básica
entre o Cristianismo e as religiões
que o precederam é que o Mistério
de Osíris, até então revelado apenas
a aspirantes cuidadosamente selecionados
nos mais profundos recônditos dos
mais remotos santuários, foi abertamente
oferecido ao mundo. Antes do Aeon
de Osíris, no Aeon de Isis, os homens
adoravam a Deus em uma de Suas múltiplas
imagens (adaptadas à visão espiritual
de indivíduos diversos em nações diversas)
da mesma forma que uma criança ama
e adora sua mãe: como Alguém que protege,
alimenta, conforta e ocasionalmente
corrige e castiga, mas sempre como
alguém exterior a si mesmos.
Foi a revelação
do Mistério da Morte de Osíris que
acordou os homens para a consciência
de que eles, em si mesmos, são a divindade
encarnada. Tampouco podemos ir muito
longe neste assunto, pois é matéria
para outro volume. O Aeon de Virgo-Pisces,
com suas vibrações, adaptava-se às
idéias de devoção e auto-sacrifício,
tornando a Iniciação Racial possivel
em larga escala; mas é necessário
que o senhor compreenda, Dr.G., que
o Mistério de Osíris data da mais
remota antiguidade. O Deus Sacrificado
é fórmula anterior à destruição da
Atlântida, quando o verdadeiro significado
dos símbolos, até então geralmente
conhecido, tornou-se o privilégio
de alguns poucos iniciados. Um sacrifício
humano anual, para ajudar a colheira,
era um rito genérico entre todas as
tribos agricultoras da Europa e da
Ásia Menor há cinco mil anos atrás;
e mesmo nos primórdios do Romanismo
ainda era praticado por tribos indo-européias.
O sacrificado era, originalmente,
o rei da tribo; reinava durante o
ano, e era executado nos Ritos da
Primavera, ou Páscoa (em ingles Easter,
corruptela de Ishtar). Era tratado
como encarnação do deus tribal, e
adorado até o momento de sua morte.
Com seu sangue os campos de cultivo
eram salpicados; sua carne era comida
por nobres e sacerdotes; e o povo
tinha de contentar-se em respirar
a fumaça de certas partes queimadas
e oferecidas à divindade que ele havia
encarnado (estas partes variavam:
algumas tribos queimavam os órgãos
sexuais, outras o coração).
Eventualmente, com
o desenvolvimento da inteligência,
a fórmulas tornou-se mais conveniente
para os reis: algum gênio tribal concebeu
a idéia de um vicário; e desde então,
um rei substituto era simbolicamente
ungido para a ocasião, para ser sacrificado
no lugar do rei verdadeiro. Primeiro
usaram voluntários, depois velhos
e doentes ou criancinhas, a seguir
inimigos, e por último animais.
Em muitas tribos
os pais, em vez de se sacrificarem,
sacrificavam seus primogênitos (neste
caso eram os pais os chefes ou patriarcas
das tribos). Na Bíblia, a história
do primogênito de Abraão é uma hábil
fábula que marca a transição, entre
os primeiros judeus, do sacrifício
dos primogênitos a Jeová para aquele
dos bodes expiatórios.
Sacrifícios humanos,
acompanhados de antropofagia ritual,
eram costume no continente indoeuropeu,
na Austrália, no continente africano
e no Novo Mundo. A presença universal
de tal rito, numa época em que a arte
da navegação era praticamente nula,
indica uma origem comum na Antiguidade,
Esta foi a Atlantida, se bem que o
senhor deva notar que seus habitantes
não praticavam sacrifícios humanos.
Foi precisamente a destruição desta
civilização (devida não a "castigo
divino", mas a um dos grandes
movimentos periódicos da crosta terrestre
a intervalos de vinte mil anos) que,
havendo deixado apenas algumas colônias
em outras terras, resultou na volta
à barbárie que ali ocorreu quando
o símbolos passaram a ser interpretados
da forma mais grosseira. Alguns mais
avançados da cultura atlante mantiveram
o verdadeiro significado. Entre eles,
o Egípto, onde os Mistérios Menores
( de Isis e Osíris ) eram celebrados
com pleno conhecimento de seu significado
verdadeiro (é suficiente que o senhor
recorde que no Livro dos Mortos a
alma do morto ou da morta é sempre
chamada Osíris), e os Mistérios Maiores
( de Nuit-Hadit-Hoor ) preservados
com o máximo segredo.
Foi do Egito que
veio a Corrente de Osíris, a qual,
devido à diversidade de povos e linguas,
e às dificuldades de comunicação no
plano material, manifestou-se em pontos
diferentes do continente indoeuropeu
sob formas diversas, embora seguindo
sempre a fórmula do Deus sacrificado.
A corrente começou aproximadamente
no ano 500 A.C. Um estático da Ásia
Menor, cujas aventuras tornaram-se
lendárias, e que eventualmente ficou
conhecido pelo nome de Diôniso, viajou
pela Grécia, Ásia Menor e India, ensinando
a nova fórmula de Iniciação Racial.
Este iniciado, o original verdadeiro
do "Jesús Cristo" evangélico,
foi um filho espiritual de Krishna,
ou antes, de Vishnu, de quem foi Krishna
o principal avatar; e sua Palavra
era INRI, que é uma modificação da
Palavra de Krishna, AUM. Citamos aqui
o Capítulo 71 de LIBER ALEPH, um dos
mais profundos trabalhos do Mestre
Therion:
"Krishna tem inumeráveis nomes
e formas, e não conheço seu verdadeiro
Nascimento humano. Pois sua Fórmula
é de alta Antiguidade. Mas Sua Palavra
espalhou- se por muitas terras, e
hoje a conhecemos como INRI com o
IAO secreto aí oculto. E o significado
desta Palavra é a Maneira de Trabalho
da Natureza em Suas Mutações: isto
é, é a Fórmula de Magia pela qual
todas as Coisas se reproduzem e recriam
a si mesmas. Porém, esta Extensão
e Especialização foi antes a Palavra
de Diôniso; pois a verdadeira Palavra
de Krishna era AUM, implicando antes
numa asserção da Verdade da Natureza
do que numa Instrução prática sobre
Operações Detalhadas de Magis. Mas
Diôniso, pela palavra INRI, estabeleceu
a fundação de toda Ciência, da forma
como hoje entendemos a palavra Ciência
em seu senso particular, ou seja,
o de causar a Natureza externa a mudar
em Harmonia com nossas Vontades."
Este Iniciado, cujo
nome carnal é hoje desconhecido, mas
que conhecemos por Diôniso (o qual
pode ter sido seu nome, pois se tornou
bastante comum na Ásia e na Grécia
depois de sua morte), viveu e trabalhou
aproximadamente quinhentos anos antes
da assim-chamada "era cristã".
Foi mencionado por um dos profetas
judeus -- Isaias -- em várias passagens
do Livro de Isaías. Estas eram estudadas
com veneração profunda pelos velhos
Essênios, que sabiam do seu sentido
oculto. A passagem principal é citada
aqui (parênteses meus):
"Quem acreditou
em nossa pregação? A quem foi mostrado
o braço de Adonai? (braço é um eufemismo
para o falo, o órgão material do Verbo.
Coxa, braço, quafril, chifre, etc.,
são eufemismos para penis, usados
tanto no Novo quanto no Velho Testamento
para apaziguar as mentes prurientes
dos tradutores que, projetando seus
próprios traumas psíquicos, acharam
que o povo ficaria chocado ao ouvir
uma pica chamada de pica. Este tipo
de "censura bem intencionada"
ainda hoje é praticado: os cristãos
todos parecem achar-se capazes de
"proteger a virtude" de
seus semelhantes!) . Porque foi subindo
como um rebento novo ( ou seja, como
uma Palavra nova, necessáriamente
mal-entendida e temida a princípio)
perante Ele, e sua raiz em uma terra
seca; não tinha presença nem formosura;
olhamo-lo, mas nenhuma beleza tinha
ele que nos agradasse.
"Foi desprezado,
o mais rejeitado entre os homens;
homem que sofrera, e sabia o que é
padecer; como um de quem os homens
se desviam, foi desprezado, e dele
não fizemos caso.
"Em verdade
ele tomou sobre si nossas mazelas;
as nossas dores carregou sobre si;
e por isto o considerávamos, aflito,
ferido de Deus, e opresso.
"Ele foi golpeado,
mas por nossas transgressões; moído,
mas por nossas iniquidades; o castigo
que nos trouxe a paz caíu sobre ele,
e pelas suas pisaduras nós fomos sarados.
"Andávamos
todos desgarrados, como ovelhas; cada
um se desviava do caminho, mas Adonai
fez caír sobre ele a iniquidade de
nós todos".
"Ele foi oprimido
e humilhado, mas não abriu a boca;
como cordeiro foi levado ao matadouro;
e como ovelha, muda perante seus tosquiadores,
manteve silêncio.
"Por decreto
tirânico nos foi arrebatado, e sua
linhagem, quem dela cogitou? Pois
ele foi cortado da terra dos vivos;
por causa da transgressão do meu povo
foi ele ferido.
"Deram-lhe
sepultura com os perversos, mas com
o rico habitou em sua morte; pois
nunca fez injustiça, nem dolo algum
se achou em sua boca.
"Todavia, a
Adonai agradou moê-lo, fazendo-o enfermar;
quando ele deu a sua alma (a Vulgata
tem der , para sugerir que isto é
uma profecia sobre -- claro -- "Jesús
Cristo") como oferta pelo pecado,
viu a sua posteridade ( isto é, seus
filhos mágicos) e prolongará seus
dias; a vontade de Adonai prosperará
em sua mãos.
"Ele verá o
fruto do penoso trabalho de sua alma,
e ficará satisfeito; o meu Servo,
o Justo, com a sua compreensão ( isto
é, Binah; a "entrega da alma"
corresponde à Passagem do Abismo )
justificará a muitos, porque as iniquidades
deles levará sobre si.
"Por isso eu
lhe darei muitos como a sua parte
( isto é, como seus discípulos ),
e com os poderosos (isto é, os Reis
ou Potestades -- uma das hierarquias
celestiais ) repartirá ele os despojos;
porquanto derramou a sua alma ( isto
é, o seu sangue -- vinho de IAO --
na Taça de BABALON, que contém o sangue
dos santos ) na morte; foi contado
com os transgressores ( isto é, considerado
malígno ); contudo levou sobre si
os pecados de muitos, e pelos transgressores
( isto é, os malígnos entre os quais
foi contado, os quais eram na realidade
os que o condenavam ) intercedeu."
LIVRO DE ISAÍAS, III, vv. 1 - 12.
Talvez o senhor
compreenda melhor o acima se eu citar
aqui alguns raros versos de um dos
Livros Santos de Télema:
"46. Ó meu
Deus, mas o amor em Me rebenta sobre
os laços de Espaço e Tempo; meu amor
é derramado entre aqueles que não
amam o amor.
"47. Meu vinho
é servido àqueles que nunca provaram
vinho.
"48. Os fumos
dele os intoxicarão, e o vigor do
meu amor engendrará bebês pujantes
em suas virgens."
LIBER VII, vii, vv. 46 - 48.
Há certos segredos
iniciáticos, Dr. G., que não podem
ser revelados pela simples razão que
apenas aqueles que os experimentaram
em si mesmos são capazes de compreender
referências a eles feitas. Portanto
limitar-me-ei a dizer que a história
simples contada nos versos de Isaías
descreve a carreira de todo Adepto
Cristão. Isto, em teoria, seria também
a história de todo maçon do grau 33º;
mas na prática, embora não tenham
os srs. perdido a Palavra, mantêm
a letra mas não o espírito. Os senhores
maçons caíram bem aquém do que era
intencionado por seu sistema -- isto
principalmente devido ao constante
ataque da Igreja de Roma.
Os patriarcas romanos-alexandrinos
que escreveram o Novo Testamento copiaram
palavras de verdadeiros Iniciados;
resulta que, encerradas em seus evangelhos
adulterados, ainda há várias chaves
que aqueles que "tiverem ouvidos
de ouvir" (isto é, percepção
espiritual: o sentido da audição corresponde
ao Akasha hindu, o Elemento do Espírito)
podem usar para encontrar a Medicina
Universal e o Elixir da Vida ...
No entanto, os romanos-alexandrinos
erraram tristemente ao tentar usar
de métodos profanos para expandir
um cristianismo viciado por interpretações
dogmáticas e ambições temporais de
poder político e financeiro. Falharam
por não fazerem o preconizado por
Jonas aos essênios: "Dar a Cesar
o que é de César e a Deus o que é
de Deus." Invariavelmente, quando
quer que na história da humanidade
um sistema de teurgia é conspurcado
e se torna uma religião organizada,
sofrem os elos entre o sistema e sua
fonte espiritual. Os planos não podem
ser misturados, e acreditando-se movidos
pelas melhores intenções, os romanos-alexandrinos
foram na verdade impelidos por vaidade
e orgulho -- sentimentos enraizados
no ego, precisamente a faculdade que
o homem deve destruir na passagem
do Abismo.
O resultado foi
que, perdendo contato com o Logos
do Aeon de Osíris, a igreja romano-alexandrina
tornou-se instrumento de forças demoníacas
-- isto é, de forças ilusórias, egóicas
-- e deu-se desde então a erros espantosos,
a crueldade indizíveis.
Consequentemente,
os verdadeiros cristãos retiraram-se
daquela igreja no momento mesmo em
que ela triunfava sobre suas "rivais"
gnósticas e essênias, e aliava-se
aos príncipes do mal deste mundo.
Retiraram-se, e silenciosamente continuaram
seu trabalho através de todo o abuso
e perseguição que se seguiram; e eventualmente,
para contrafazer mais eficientemente
os efeitos da Grande Feitiçaria, criaram
a Maçonaria.
O senhor sabe, é
claro, que o Rito Antigo, ou melhor,
a Grande Loja da Inglaterra, foi organizada
( e o Rito inteiro reformado ) por
um certo Elias Ashmole, judeu, e Irmão
da R.C. A R.C. (que só existe neste
mundo com este nome desde que o grande
iniciado que se ocultou sob o nome
de "Cristian Rosenkreutz"
começou o movimento que resultou na
Renascença, na Reforma e nas revoluções
Francesa e Americana ) é responsável
pelo Mistério do Logos -- o Mistério
do cristo. É tarefa dela zelar para
que este Mistério jámais seja perdido
pela humanidade. Quando quer que,
por erros humanos, por oscilações
do karma terrestre, ou pelas leis
do acaso, a transmissão da Palavra
e do Sinal (isto é, a sucessão apostólica)
é ameaçada, é a R.C., sob um de seus
muitos véus (ela nunca usa abertamente
o nome de R.C.!), através de um ou
mais de seus Irmãos, que lembra a
humanidade o significado espiritual
da Encarnação; da promessa da Ressurreição;
da Grande Obra, isto é: o estabelecimento
do Reino de Deus sobre a Terra.
A R.C. nunca interfere
de forma alguma com a organização
ou direção de ritos maçônicos; nem
seus Adeptos, necessáriamente, ingressam
em tais ritos. Apenas, informação
em quantidades suficientes é outorgada,
e fontes de pesquisa são sugeridas
ao exame dos maçons, para que o significado
espiritual dos ritos seja reestabelecido
pelos próprios maçons.
A R.C. está abaixo
do Abismo: a Grande Ordem que não
tem nome é simbolizada pelo Olho no
Triângulo, e este é o Collegium Summum,
ou a S.S., da A.·.A.·.
A A.·.A.·. é apenas
uma das Fraternidades Iniciáticas,
e abaixo do Abismo é das mais novas.
Foi organizada em sua forma presente
na primeira década deste século.
Quanto à S.S., é
a mesma para todas as fraternidades
iniciáticas. Isto é fonte de surpresa,
às vezes, para iniciados de graus
mais baixos, pois, chegando a certas
consecuções, verificam que Mestres
que pareceram pregar doutrinas completamente
opostas ( como, por exemplo, Maomé
e Jonas ) estão sentados lado a lado
no Areópago dos Adeptos.
Recapitulando:
Quem é "São
João Batista"? É Jonas, Ionas,
Jon, Johannes, João, o Mestre de retidão
dos essênios, cujos sermões são postos
nos Evangelhos na boca de "Jesús".
Quem é "Jesús"?
É qualquer indivíduo que tenha atingido
o Conhecimento e Conversação do Sagrado
Anjo Guardião, o Paracleto.
Quem é "Jesús
Cristo"? É o nome dado pelos
Romano-Alexandrinos à sua versão fictícia
do Logos do Aeon de Osíris, cuja Palavra
foi INRI, e a quem Nós conhecemos
por Diôniso.
Quem é o "Pai"
a quem "Jesús" sempre se
refere nos Evangelhos? É o Logos,
a LVX, o Verbo, cuja Sephira é Chokmah,
o Primogênito de Kether.
Quem é o Cristo?
Tecnicamente é todo e qualquer Adepto,
desde que, no simbolismo grego, o
nome corresponde ao essênio Jeheshua;
mas na prática o título é usado para
designar o LOGOS AIONOS.
Do ponto de vista
místico, "ninguém atinge o Pai
a não ser pelo Filho"; consequentemente,
desde que todo Adepto Cristão é uma
Encarnação do Verbo, a distinção entre
o Cristo Solar e o Cristo Interno
é mera ilusão do profano. Ego sum
qui sum, diz o Iniciado: AHIH, EU
SOU O QUE SOU.
Quando Aleister
Crowley estava sendo "julgado"
(foi nesta ocasião que o juiz presidindo
o chamou de "o pior homem do
mundo"), o promotor lhe perguntou:
"Não é verdade que o senhor se
chama a si mesmo de A Besta do Apocalipse?"
Crowley, que já
estava acostumado a esperar o pior
de seus semelhantes, respondeu com
a paciência e agudeza de humor que
lhe eram característicos: "Esse
nome significa apenas O Sol. O senhor
pode me chamar de Raio-de-Sol, se
quizer."
Isto é: chamá-lo
de Adepto, ou seja, Jeheshua, ou seja,
Maçon 33º, Dr. G.: Sol em miniatura,
isto é, Tiphareth...
Esta confusão entre
o Adepto e seu Pai aparece até em
"João Batista", quando ele
diz: "Eu sou a Voz (ou seja,
o Verbo) que clama no Deserto ( isto
é, no Abismo)."
O mais antigo símbolo
conhecido para o Logos é o Olho dos
Egípcios; e o Olho está no Abismo;
este é o Olho no triângulo, e este
é o verdadeiro Baphomet, o Chefe Secreto
de todos os maçons.
Abaixo do Abismo,
Ele é representado por dois Adeptos,
um do Pilar Branco, o outro do Pilar
Negro. O do Pilar Branco é o Adepto
Exempto, e ele promulga a Lei; o do
Pilar Negro é o Adepto Maior, e ele
faz com que as promulgações do Adepto
Exempto sejam cumpridas.
Os judeus, depois
que pararam de sacrificar primogênitos,
tinham dois bodes sagrados para os
festivais, um branco e outro negro.
O branco era sacrificado a IAO ( o
nome mais antigo de Jeová); o negro,
carregado com as maldições dos sacerdotes,
era impelido para o deserto...
Compreende o senhor
melhor agora, Dr. G., por que razão
a Sala dos Maçons é chamada a Sala
do Bode Preto?
O Olho no Abismo
é o Olho do Sol, o Olho de Hoor, que,
por certas razões ocultas, é identificado
com o anus. É por isto que se dizia,
dos iniciados de Satã, que eles "beijavam
o anus de um bode preto"....
No Egito antigo, em certo ritual onde
cada parte do corpo do Iniciado era
colocada em relação com cada parte
correspondente de algum ser divino,
o Iniciado dizia em dado momento:
"Minhas nádegas são as Nádegas
do Olho de Hoor."
Mas quem diabo --
perdoe o trocadilho -- é na verdade
este notório Satã que os padres romanos
nos acusam de adorar, e a quem eles
culpam por seus fracassos (ao invés
de culparem a sua estupidez preconceituosa)?
Quando a Igreja
Romana começou a "catequização"
das provincias, encontrou continuamente
deuses locais. Aprendendo as peripécias
lendárias de tais deuses, os engenhosos
pafres romanos fabricavam um "santo"
com as mesmas proezas, e diziam aos
ignirantes pagãos: "Esse seu
deus não é mais que um demônio que
tenta lhes desviar de Nosso Senhor
Jesús Cristo, e para este fim imita
as façanhas de nosso amado mártir
Fulano. E se voces não me acreditam,
ouçam a história da vida de nosso
santo mártir..."
Desta forma, aIgreja
Romana assimilou em sua liturgia um
panteão inteiro de deuses pagãos que
ram transformados em santos e santas
e mátires imaginários -- os únicos
mártires criatãos do início do cristianismo
foram os essênios e os gnósticos,
a quem os romanos-alexandrinos acusaram,
caluniaram, e denunciaram aos imperadores.
Exemplos: aqueles que adoravam o Cristo
sob a forma de um asno ( Príapus ),
os que adoravam o Cristo sob a forma
de um peixe ( Oannes ); os que adoravam
o Cristo sob seu nome de Baco ou Diôniso...
Mas houve um deus
pagão que os romanos não conseguiram
absorver, porque suas preripécias
eram por demais virís para serem atribuídas
a um "santo romano", que
era necessáriamente um castrado, no
corpo ou no espírito. Por outro lado,
seus ritos eram tão vitais, tão universalmente
populares nas provincias, que era
impossievel esperar que o povo o esquecesse:
depois de seis séculos de tirania
romano-alexandrina, ele ainda era
conhecido e adorado: o deus PÃ, o
deus de chifres e de cascos de bode...
Portanto, não podendo
fazer dele um santo, Dr.G.'fizeram
dele o diabo.
Uma profusão de
dados sobre tudo o que foi escrito
acima pode ser encontrado nos seguintes
livros:
THE GOD OF THE WITCHES, de Margaret
Murray
O LIVRO DOS MORTOS, trauzido do egípio
por Sir Wallis Budge.
THE GOLDEN BOUGH, de Sir James Frazer,
na edição completa em vários volumes.
Neste trabalho manumental o senhor
encontrará um estudo detalhado dos
deuses pagãos tornados em "santos"
e "mártires" do calendário
romano...
Mas voltando ao
deus PÃ: a igreja Romana lutou
contra os ritos deste deus durante
vários séculos. Os festivais de Pã
eram orgiásticos -- daí sua popularidade
-- e celebrados nos Equinócios e Solstícios.
Eventualmente, a Igreja Romana foi
forçada a incorporar estes rituais
em sua liturgia, visto ser impossivel
eliminá-los; e sabiamente fez deles
os festivais mais importantes do culto
a "Nosso Senhor Jesus Cristo":
a Páscoa ( com Corpus Christi ), o
"Natal", o dia de "São
João Batista" e o dia de "São
João Apóstolo". Eventualmente,
a reforma gregoriana mudou o "Natal",
que a princípio era oscilável como
a Páscoa e Corpus Christi, e caía
no Solstício; e tendo finalmente absorvido
o rito orgiástico que então tinha
lugar, os padres fixaram a data de
25 de dezembro (dava muito na vista,
um aniversário oscilante...). Emtão
os católicos romanos, seus derivados
posteriores e muitas ordens ocultistas
espúreas celebram nessa data a "ressurreição"
ou "nascimento" do Sol:
isto porque o solstício de inverno
é o momento em que o Sol, tando alcançado
seu máximo declínio meridional na
eclítica, começa sua volta para o
Norte, levando o calor que renovará
a vida da vegetação na Primavera.
Mas, do ponto de
vista iniciático, quem era este Pã?
Como qualquer deus
de toda e qualquer terra em todo e
qualquer período da história do mundo,
era uma das formas pelas quais ou
o Sol espiritual, que é o Pai verdadeiro,
ou o seu primogênito, que é a "Bêsta",
são adorados. Esta Besta varia segundo
a precessão dos equinócios, pois o
Equinócio de Primavera se move ( devido
ao deslocamento de ponto vernal )
de sígno para sígno no Zodíaco aproximadamente
em cada dois mil e quinhentos anos;
e no Zodíaco os sígnos são alternadamente
representados son a forma humana e
animal.
No Aeon Passado,
os pontos vernais caíam respectivamente
em Virgo e Pisces, a Virgem e o Peixe;
no que lhe antecedeu, caíam em Áries
e Libra, o Carneiro e a Jutiça (a
mulher com a espada e a balança dos
romanos antigos); no presente os pontos
vernais caem em Aquarius, ou seja,
a Mulher com a Taça (BABALON) em em
Leo, ou seja, a Grande Besta Selvagem
(THERION).
O deus Pã é simplesmente
a fórmula do Logos que data do Aeon
de Câncer- Capricórneo. Aí está o
"diabo" dos padres romanos
reduzido a suas verdadeiras proporções.
Reduzido?... Bem, é uma questão de
ponto de vista...
Não podemos nos
aprofundar nesta questão do deus Pã,
nem no simbolismo dos chifres, nem
mesmo na história completa da luta
da Igreja Romana contra o culto do
"Diabo"; um culto que, diga-se
de passagem, Roma jamais conseguiu
destruir, a despeito de seus esforços
sinistros. O senhor encontrará os
dados fundamentais para tal estudo
num livro precioso, publicado pela
primeira vez no Século XVIII, mas
recentemente republicado nos Estados
Unidos e Inglaterra:
TWO ESSAYS ON THE WORSHIP OF PRIAPUS,
de Payne Knight.
Limitar-nos-emos a dizer aquí que
este era o deus adorado por "bruxos"
e "feiticeiros", que preservaram
seus ritos orgiásticos apesar de toda
a perseguição implacável, das calúnias
absurdas e do terrível risco de tortura
e morte na fogueira, alem de outras
punições impostas pela Igreja de Roma
não só na Idade Média como até ao
Século XVIII -- e que só não são impostas
até hoje devido ao trabalho paciente
e silencioso dos maçons, representantes
dos verdadeiros cristãos...
Depois que Romanos
e Alexandrinos estabeleceram seu domínio
teológico no Concílio de Nicéia (disto
falaremos depois) e instituiram o
dógma de "Jesus Cristo"
como personagem histórico e "unica"
encarnação do Verbo, os poucos essênios
e gnósticos que sobreviveram à "purgação"
continuaram, sob o maior segredo,
a tradição pura e original dos Mistérios
Menores do Egito e da Fórmula de Diôniso.
Várias vezes, no
curso destes mil e quinhentos anos,
os Iniciados tentaram reconstituir
abertamente os ensinamentos essênios
e gnósticos. Em toda ocasião em que
isto aconteceu, a Igreja Romana interveio
com fúria demoníaca, assassinando
homens, mulheres, velhos e até criancinhas,
sem a mínima compunção; ao ponto mesmo
( como no caso dos Albigenses ) de
capitães medievais, homens supostamente
embrutecidos pela violência das batalhas
selvagens da época, terem ficado tão
fartos da chacina que foram perguntar
ao papa se, proventura, não estariam
exterminando inocentes com os culpados
(essa gente morria tão virtuosamente,
o senhor compreende!). E foi em tal
ocasião que o Bispo de Roma honrou
a tradição cristã de sua igreja com
as seguintes palavras:
"Matai a todos; Deus distinguirá
os seus."
A matança, Dr. G..
incluía até recém-nascidos.
E não é que se tratasse
de fé cega, por parte do Bispo de
Roma, na crassa teologia do seu credo.
Não é que ele acreditasse realmente
na existência de um "salvador"
chamado "Jesus", e no fato
dos Albigenses serem "criaturas
do Diabo". Não, DR. G., não havia
sequer a justificativa do fanatismo
- se de justificativa podemos chama-la
- pois os papas romanos sabem, e sempre
souberam, que nunca houve nenhum "Jesus
Cristo!".
Talvez lhe seja
difícil crer no que digo? Pois lembre-se
das palavras históricas, proferidas
num momento de descuido por um dos
mais cínicos e mais prósperos dos
papas, Leão X:
"Quantum nobis prodeste haec
fabula Christi!".
Ou seja: "Quanto nos
ajuda esta fábula de Cristo!".
O senhor deve se
lembrar de que os documentos originais
daquilo que os Romanos chamavam de
"Cristianismo "estão preservados
na Biblioteca Secreta, do Vaticano.
É bastante simples para os pouquíssimos
prelados a quem a Cúria dá acesso
aos documentos mais antigos, verificarem
onde acabam os fatos e começa a ficção.
Creio que já falamos
suficientemente da história passada
da Igreja de Roma. Não deve ser necessário
que eu lhe lembre Joana D'Arc, nem
Gilles de Rais (contra o qual foram
feitas as acusações mais horrendas,
mas contra o qual jamais apresentaram
evidências - nem sequer um ossinho!
- das centenas de crianças que ele
havia, supostamente, sacrificado;
e seus acusadores, e juizes, dividiram
entre si, seus consideráveis bens),
nem os Templários, nem o Imperador
Frederico Hohenstaufen, nem João Huss,
nem Michel Servent, nem Henrique IV
(assassinado por ordem dos Jesuítas),
nem os Cátaros, nem os Albigenses,
nem os Huguenotes, nem os Judeus e
Árabes de Portugal e Espanha, nem
os Gnósticos franceses, alemães, escoceses,
irlandeses e ingleses que foram chamados
de "feiticeiros" e forçados
a confessar obscenidades sob torturas
diabólicas, nem Cagliostro, nem uma
quantidade imensa de Maçons cujos
ossos branquejam a estrada que leva
à Roma. Creio que, a um Maçon, não
deve ser necessário falar mais do
passado dessa igreja infame.
Falemos então do
presente - desta época de "reforma"
e do "Papa da Paz". Mudou
a Igreja de Roma?
Dr. G., o senhor
acha, certamente que essa propalada
reforma romana, que esse muito propagandizado
concílio ecumênico, que as duas bulas
de João XXIII (na realidade João XXIV:
houve uma época, entre outras da história
do papado, em que havia três papas.
Um deles chamou-se João XXIII, foi
forçado a renunciar ao papado quando
os dois outros fizeram um pacto contra
ele, e pouco após morreu envenenado
- por quem, deixamos ao senhor ponderar)
- o senhor acha que tudo isso fará
da Igreja de Roma algo mais humano,
mais próximo de Deus e do Seu Logos?
Muito bem; tenho
diante de mim, neste instante em que
lhe escrevo, um catecismo católico
romano chamado "Doutrina Cristã".
É publicado pelas Edições Paulinas
e leva o nº. 1; é destinado, portanto,
ao condicionamento das mais tenras
criancinhas. O senhor me disse que,
na sua opinião, a Igreja Romana era
uma boa introdução à vida adulta para
crianças. Se assim é,. Considere as
seguintes passagens que transcreverei
desse livreto infame (os parênteses
são meus):
"Eu gosto do
meu catecismo." (Auto-sugestão
inconsciente).
"O catecismo
me ensina o caminho do céu."(Do
outro lado, o inferno).
"O caminho
do céu é: conhecer a Deus"(pela
boca dos padres), "amar a Deus"
(de acordo com a definição de "amor"
por parte dos homens que evitam todas
as manifestações sadias desse sentimento),
"e obedecer a Deus"(pela
boca dos padres, seus únicos representantes
legítimos; os demais são servos do
diabo, e se alguém tentar definir
por si mesmo a obediência a Deus,
esse alguém na Idade Média era queimado
vivo, e hoje em dia é culpado de orgulho,
um dos pecados mortais).
"Eu irei sempre
ao catecismo para conhecer o caminho
do céu" (a ameaça velada é que,
se a criança não for ao catecismo
para aprender o caminho do céu, acabará
no inferno).
"Estudarei
sempre direitinho o meu catecismo"(e
há quem diga que os comunistas inventaram
a lavagem cerebral!).
Isto, apenas como
introdução. Seguem-se as seguintes
notáveis "verdades":
"Jesus morreu
na cruz para nos salvar" (falsidade
histórica; mas a implicação dogmática
é que, desde que somos criaturas condenadas
ao inferno desde o nascimento não
fosse por "Jesus", precisamos,
mesmo na infância, de salvação. Que
distância entre isto e "Deixai
virem a mim as criancinhas, pois delas
é o reino dos céus...".
"As criancinhas
gostam muito de Nossa Senhora"
(se isto fosse uma cartilha usa, e
em vez de "Nossa Senhora"
estivesse Lênin, nós chamaríamos este
tipo de propaganda de atentado contra
a mente humana; no entanto, Lênin,
pelo menos, realmente existiu!...)
"Nossa Senhora
é a mãe de Jesus". (De fato,
BABALON é a Mãe de Adepto; mas não
é assim que eles interpretam!...)
Mais adiante, o
"Credo", com a nota: "O
Credo é o resumo da religião que Jesus
nos ensinou."
Isto é uma mentira
deslavada, pois nem Jon nem Dioniso,
os originais de "Jesus Cristo"
evangélico, ensinaram religiões. Buda
não pregou o Budismo, nem Lao-Tsé
o Taoísmo, nem Maomé o Islamismo;
nenhum guia espiritual de vulto estabeleceu
qualquer dogma formal, com exceção
de Moisés; e ele, ao menos, tinha
a desculpa de precisar criar uma cultura
do nada, de fazer uma nação daquela
multidão de ex-escravos superticiosos
e rebeldes que o seguia. São sempre
os sucessores dos Magos (diga-se de
passagem, os falsos sucessores) que
organizam religiões e dissociam o
Espírito da Letra, mais cedo mais
tarde comportando-se de forma completamente
oposta aquela recomendada pelo Instrutor.
No entanto, no caso
presente, a mentira é dupla; pois
além do fato de que Jon não deixou
"religião" a ser seguida,
o Credo de Nicéia, que é o credo a
que o catecismo em questão se refere,
não era sequer um sumário da religião
que começava a se cristalizar em redor
dos ensinamentos de Jon. Este credo
era antes um códice dos dogmas que
os Romano- Alexandrinos consideravam
essenciais ao estabelecimento de sua
dominação política, material, temporal,
sobre as muitas congregações - igrejas
- fundadas na Ásia Menor e na península
romana por seguidores e discípulos
de Jon, cada qual com variações de
doutrina e temperamento determinadas
por condições locais e idiossincrasias
do discípulo fundador. Estes discípulos
foram os originais dos "apóstolos"
dos "Atos" (os "Atos"
são uma antologia cuidadosamente censurada;
e deturpada pela introdução de incidentes
e nomes altamente imaginários, de
alguns dos discípulos de Jon. As mais
gritantes falsidades lá se encontram
misturadas a fatos históricos. O propósito
de tais falsificações foi a afirmação
da autoridade da Igreja Romana, a
qual, longe de ser a mais velha das
igrejas Cristãs, era a mais nova e
certamente a menos Cristã, de todas.
Um exemplo interessante é "Simão
Pedro", que é o mesmo "Simão
o Mago" que a ele se opões nos
Atos... Era um Gnóstico a quem a Igreja
Romana teve que atribuir a sua fundação,
pois ele pregara em Roma e era universalmente
respeitado por todas as congregações;
mas ao mesmo tempo, teve que ser atacado
devido as doutrinas que tinha em comum
com os Gnósticos Gregos e os Essênios
Hebreus. "Pedro" e "Paulo"
são, possivelmente a mesma pessoa,
mas só pesquisas futuras, empreendidas
por investigadores sem preconceitos
que tenham acesso a verdadeira documentação,
poderão esclarecer tal ponto). A história
da maneira pela qual os Romano-Alexandrinos
forçaram o Concílio de Nicéia a votar
neste Credo é um pântano de horrores.
Tal era a situação que os patriarcas
visitantes não ousavam andar pelas
ruas de Nicéia, Roma ou Alexandria,
sem terem ao menos uma dúzia de guarda-costas,
por medo de serem assassinados por
ordem dos patriarcas Romano-Alexandrinos.
(Vide OUTLINES ON THE ORIGIN OF DOGMA,
DECLINE AND FALL OF THE ROMAN EMPIRE
e LA MESSE ET SES MYSTERES para uma
discussão detalhada deste assunto).
Mas examinemos esse
"resumo da religião que Jesus
nos ensinou"!
"Creio em Deus
Pai Todo-Poderoso, Criador do Céu
e da Terra..." (Já começa deturpado,
pois o "Pai" a quem Jon
se refere em seus sermões era Dionísio,
o Logos do Aeon, o pai espiritual
de Jon. O Criador do Céu e da Terra"
era, na verdade, "Criadores",
no plural. A Gênese, um trabalho cabalístico,
é sempre mal traduzida. Os "Elohim",
criadores do céu e da terra, eram
literalmente "deuses macho-fêmea",
ou seja, uma hoste divina andrógina.
Então, o senhor talvez perguntará,
quem era Jeová? Era o Pai de Moisés,
da mesma forma que Dionísio era o
Pai de Jon!...) Mas continuemos:
"...e em Jesus
Cristo, um só seu filho, Nosso Senhor..."
(Estas dez palavras causaram mais
mortes no Concílio de Nicéia do que
quaisquer outras. Houve ocasiões em
que patriarcas Romano-Alexandrinos
provocaram com insultos pessoais outros
patriarcas que se opunham a este "um
só seu filho" ou a este "Nosso
Senhor" até que os ofendidos
reagissem - e fossem imediatamente
apunhalados por assassinos previamente
instruídos. Quanto a parte de "Jesus
Cristo" ninguém a ela se opôs
seriamente, visto que os verdadeiros
Iniciadores Cristãos nem sequer se
deram ao trabalho de ir ao Concílio,
sabendo tratar-se de caso fraudulento,
como quaisquer outros concílios convocados
pelos Romano-Alexandrinos antes ou
depois deste. Os Iniciados Cristão
já começavam a organizar (prevendo
a necessidade premente que para eles
haveria) as irmandades secretas que
apareceriam abertamente na Idade Média,
como Franco-Maçonaria - o grêmio maçon
que construiu as grandes catedrais
Góticas. Esses franco-maçons formavam
uma classe social a parte, pois, não
sendo nobres nem padres nem militares,
não eram camponeses ou vassalos, tampouco.
A Igreja Romana os protegia porque
deles precisava para a construção
- sendo ela, até hoje, incapaz de
construir coisa alguma... E foi através
dessas associações de pedreiros que
o verdadeiro Cristianismo foi transmitido
de reino a reino, de cidade a cidade,
e isto, ironicamente, sob a proteção
dos romanos... Veja-se THE ARCANE
SCHOOLS, ou qualquer bom compêndio
de história da maçonaria para maiores
detalhes).
"...o qual
foi concebido do Espírito Santo..."
(Outra fonte de muitos assassinatos
foi este dogma. Sobre ele não faremos
comentários: padres romanos certamente
lerão esta carta, e não temos qualquer
intenção de dar a eles quaisquer dados
sobre a natureza do Espírito Santo.
Já que eles o invocam tanto, devem
saber o que Ele é!...)
"...nasceu
da Virgem Maria..." (esta Virgem
Maria é também a Grande Puta do Apocalipse.
É a Grande puta porque Ela se dá a
tudo o que vive; e é a Virgem porque
permanece intocada por tudo a que
se entrega. Quem é Ela? É a Casa de
Deus, a Natureza, a Grande Mãe, e
as leis naturais são as únicas leis
realmente divinas... Ísis- Urânia,
NUIT, Nossa Senhora das Estrelas,
é a concepção dessa Mãe Grande e Eterna,
copulando desavergonhadamente e avidamente
com todas as suas criaturas, pois
em cada uma delas Seu Senhor se manifesta
e A ocupa. É também a mais alta e
mais verdadeira forma de PÃ. A Ísis
eternamente inviolada e esta Virgem
Imaculada, e as imagens de Virgem
com o Menino Jesus nas Igrejas Romanas
são cópias das múltiplas imagens de
Ísis com o Menino Hoor, que podem
ser examinadas na seção de Egiptologia
de qualquer museu).
"...padeceu
sob o poder de Pôncio Pilatos..."(pessoa
altamente questionável esse Pôncio
Pilatos, do ponto de vista histórico.
Recentemente foram "descobertas"
e "reveladas" nos E.U.A
umas "cartas da mulher de Pilatos
a uma amiga". Estas relatem como
a vida do casal tornou-se pulo melodrama
depois de haverem lavado as mãos no
caso "Cristo Jesus". Mais
conversa fiada jesuítica, sem dúvida...)
"...foi crucificado,
morto e sepultado, desceu aos infernos,
ao terceiro dia ressurgiu dos mortos,
está sentado a mão de Deus Pai Todo
Poderoso donde há de vir julgar os
vivos e os mortos" (Tudo isto
tem um significado esotérico, e é
verdade de todo Cristo, de todo Adepto;
mas os padres de Roma profanam estes
símbolos quando os interpretam da
forma mais crassa).
"Creio no Espírito
Santo... (eles nem sabem o que Ele
é, não tendo merecido Sua presença
sequer uma vez, ao longo de mil e
seiscentos anos!)
"...na Santa
Igreja Católica... " (esta é
a única e verdadeira Igreja acima
do Abismo, e inclui todos os cultos
dos homens; mas os padres romanos
querem aludir, naturalmente a igreja
de Roma).
"...na remissão
dos pecados..."(esta "remissão
dos pecados", que faz da humanidade
uma raça suja e maldita é, de todas
as blasfêmias deste credo, a menos
perdoável. Esta é precisamente a razão
pela qual a Igreja de Roma nunca mereceu
a manifestação do Espírito Santo!)
"...na ressurreição
da carne..." (isto se refere
a doutrina da regeneração, isto é,
da Medicina Universal; mas tendo este
e outros segredos do Cristianismo
primitivo sido perdido pelos romanos,
eles interpretam esta frase da forma
mais grosseira. Veja-se o RITUAL DA
MAÇONARIA EGÍPCIA de Cagliostro para
maiores detalhes.)
"...na vida
Eterna..."(isto se refere ao
Elixir da Vida, novamente mal interpretado).
"...Amém".
Agora, por favor,
atente bem para esta passagem que
se segue:
"Um dia, alguns
anjos fizeram pecado." (Mais
adiante explicam o que é pecado.)
"Os anjos maus
são chamados demônios."
"Os anjos maus
foram para o inferno." (É necessário
que haja inferno. Pondere como essas
criancinhas eram felizes, sem saberem
que havia inferno antes de entrarem
em contacto com a Igreja de Roma!...)
"Para que Deus
nos criou? Deus nos criou para conhecê-Lo...
(na versão de Roma)
"...para amá-lo
e serví-lo neste mundo... (os pais
têm filhos porque precisam de admiradores
e escravos, nenhum ser sobrehumano
poderia ter outra motivação...)
"... e depois
ir com Ele ao Céu." (todo cachorro
bem treinado merece uma recompensa)
Convenhamos: a versão
romana do Criador mostra bem pouca
imaginação criadora!
Mas a insensatez
continua:
"Adão e Eva
eram felizes no Paraíso.
"Um dia, porém,
fizeram pecado.
"Que é pecado?
"O pecado é
uma desobediência voluntária à lei
de Deus ou LEI DA IGREJA." (a
ênfase é nossa. Note, por gentileza,
que os astuciosos roupetas estão duplamente
assegurados: primeiro, porque foram
eles que escreveram "a lei de
Deus"; segundo, porque são eles
que escrevem a lei da igreja!)
"Jesus morreu
na cruz para nos salvar do pecado."
(eles nem sabem mais o que é "Jesus",
e nunca souberam o que é a Cruz)
"Deus dá o
prêmio aos bons e o castigo aos maus.
"O prêmio para
os bons é o céu.
"O castigo
para os maus é o inferno.
"O céu e o
inferno NÃO TERÃO FIM. (a ênfase é
nossa. Deus não é apenas destituído
de imaginação, é também destituído
de misericórdia, para não falar em
senso de humor. Este "Deus"
é um demônio --- feito à imagem daqueles
que o promovem!)
"Quem vai para
o céu?
"Vai para o
céu quem morre sem pecado grave."
Note que não é necessário
ser virtuoso, alegre, corajoso, honrado,
para ir para o céu. As virtudes positivas
não têm sentido para as criancinhas
"cristãs" à moda romana:
é suficiente "morrer sem pecado
grave". Veja o senhor, no Apocalípse,
o que o Amém tem a dizer à Igreja
em Laodicéia, Cap. III, vv. 14-22.
"Quem vai para
o inferno?
"Vai para o
inferno quem morre em pecado grave."
Desta forma, os
cavaleiros de Roma podem manter seu
bolo e comê-lo ao mesmo tempo. Se
o senhor não é batizado ( por eles
) ao nascer, está destinado ao menos
ao purgatório (favor lembrar que o
purgatório é uma invenção relativamente
recente, promulgada quando o povo
começou a reclamar que Roma mostrava
pouca caridade para com os homens:
no começo, o inferno era a única alternativa
para o céu). A vida do senhor, do
nascimento à morte, é completamente
subordinada a eles: comunhão, sacramento,
confirmação, casamento, confissão....
Lembre-se, dr. G., que toda esta teologia
que ameaça de tormento eterno aos
que não a aceitam, toda esta síndrome
de repressão, de escravidão psíquica
e social, toda esta maquinação, está
baseada nas mentiras deliberadas e
conscientes dos patriarcas de Roma
e Alexandria! Verdadeiramente, eles
podem se gabar: "Quantum nobis
prodest haec fabula Christi!"
Mas, infelizmente
para eles, Dr. G., o Cristo não é
uma fábula.
E o Verbo se fez carne, e habitou em nós.
Tu que és eu mesmo, além de tudo
meu;
Sem natureza, inominado, ateu;
Que quando o mais se esfuma, ficas
no crisol;
Tu que és o segredo e o coração do
Sol;
Tu que és a escondida fonte do universo;
Tu solitário, real fogo no bastão
imerso,
Sempre abrasando; tu que és a só semente;
De liberdade, vida, amor e luz, eternamente;
Tu, além da visão e da palavra;
Tu eu invoco, e assim meu fogo lavra!
Tu eu invoco, minha vida, meu farol,
Tu que és o segredo e o coração do
Sol
E aquele arcano dos arcanos santo
Do qual eu sou veículo e sou manto
Demonstra teu terrível, doce brilho:
Aparece, como é lei, neste teu filho!
Os versos acima,
Dr. G., foram escritos por Aleister Crowley, o "pior
homem do mundo" de acordo com
a opinião dos padres que organizaram
a campanha difamatória que o seguiu
por toda a vida. Estes versos deveriam
ser cantados com orgulho por todo
Filho da Luz, ou seja, por cada ser
humano, cada Filho de Deus!
O senhor ainda acha
que a Igreja Romana pode ser encarregada,
por homens responsáveis, honrados
e ajuizados, da educação de crianças?
Dr. G., enquanto
esta igreja não reconhecer publicamente
seus crimes contra Deus e a humanidade;
enquanto não renunciar para sempre
a essa ameaça de inferno e a esse
dógma de pecado com os quais forças
negativas, que se opõem à evolução
da humanidade, tentam impedir ao homem
e à mulher que se tornem Deus por
meio do ato sexual (veja o Evangelho
de "João", Cap. IV, vv.
13-16); enquanto ela for a causadora
de masturbação e autismo entre os
seus assim-chamados monges e freiras,
em vez de permitir que se expressem
livremente como homossexuais (qual
são frequentemente) ou como heterosexuais
(qual são algumas vezes); enquanto
o Bispo de Roma não admitir que ele
é um entre muitos, e herdeiros de
uma história acumulada de erros; em
suma, enquanto a Igreja de Romana
existir (pois no dia em que renunciar
a todas as suas infâmias não será
mais "Romana", mas finalmente
parte da verdadeira Igreja Católica,
a Humanidade), a ela se aplicam as
palavras de Jon, o filho da Luz, copiadas
por ela em seus assim-chamados "Evangelhos":
"Cuidado com
os falsos profetas, que a vós se mostram
como cordeiros, mas que internamente
são lobos vorazes.
"Pelos seus
frutos os conhecereis.
"Nem todo aquele
que me diz Senhor! Senhor! entrará
no reino dos céus, mas só aqueles
que fazem a vontade de meu Pai que
está nos céus.
"Muitos, naquele
dia, me dirão: Senhor! Senhor! Não
temos nós profetizado em Teu nome,
não temos expelido demônios em Teu
nome, e em teu nome não realizamos
muitos milagres?
"Então eu lhes
direi claramente: nunca vos conheci.
Afastai-vos de mim, vós que praticais
a iniquiade." - Mateus",
VIII, vv. 15-23.
Francamente, Dr.G.,
não posso entender como um maçon,
como um homem sensato e honrado pode,
por um momento, defender uma instituição
que é uma nódoa na história da humanidade.
Nós, verdadeiros herdeiros do Cristo,
temos sido acusados de odiar a Igreja
de Roma. Sabe Deus que não a odiamos:
nós a abominamos e desprezamos com
a intensidade devida àquilo que não
só é vil em si mesmo, como aviltante
para tudo que é sagrado e valoroso
no homem. Dizem que o diabo corre
da Igreja de Roma, e é verdade. Mas
não é que nós a temamos: ela nos enoja.
É inútil proclamar o efeito maravilhoso
que o Romanismo tem exercido sobre
a civilização ocidental. A verdade
é precisamente o oposto. Roma tem
combatido toda reforma e todo progresso
a cada passo, aceitando-os apenas
no último minuto, e então fingindo
-- aos incautos -- tê-los inventado.
A renovação das artes, das ciências,
da liberdade humana, jamais veio de
Roma; veio dos maçons, dos árabes,
dos judeus, da herança pagã redescoberta
na Renascença, dos protestantes alemães,
franceses e ingleses, das invasões
dos piratas normandos e até das hordas
de tártaros e turcos: nunca de Roma.
Considere a evidência
histórica, Dr. G.! Durante mil anos,
o sistema feudal, tornado odioso justamente
pelos abusos decorridos da aliança
da igreja com os senhores feudais,
oprimiu a população da Europa. Veio
a reforma -- e em um século o sistema
havia praticamente desaparecido. A
Inglaterra católica romana era uma
ilhota insignificante perdida no mapa
da Europa: veio Henrique VIII, expulsou
os jesuítas, criou o Anglicanismo
-- e em duas gerações a Inglaterra
derrotava a Espanha católica romana,
tornava-se o maior poder naval do
mundo e estava prestes a construir
um império mais poderoso do que o
dos Césares. A França decaíu com os
Valois católicos romanos: veio Henrique
IV, protegeu os huguenotes, foi assassinado
por isto, mas em um século a França
de Luis XIV deslumbraria o mundo.
Os protestantes colonizaram a América
do Norte; compare o progresso da civilização
da América do Norte com a situação
das Américas Central e do Sul, colonizadas
por padres jesuítas!
Os países onde,
no momento, prevalece o dógma romano,
estão atrasados de cinquenta a cem
anos em progresso material, e moralmente,
em certa áreas, o atraso é de quinhentos
a mil anos. Os países protestantes
têm sina muito melhor. Mas infelizmente,
mesmo os protestantes não estão livres
da mancha do "pecado original"
e do complexo de culpa, como tampouco
de crença na necessidade de "salvação",
já que usam os textos evangélicos
fabricados pelos romano-alexandrinos;
e não foi à toa que Ambrose Bierce,
por muitos considerado um dos maiores
iniciados americanos, escreveu, como
parte da definição da palavra "cristão"
em seu impagável e realista "O
Dicionário do Diabo":
"Sonhei-me no alto dum morro,
e vejam só:
Em baixo, pias multidões, com ar de
dó
Triste e devoto, andavam de cá para
lá,
Domingadas em suas roupas de sabá,
Enquanto na igreja os sinos gemiam
Solenes, alertando os que em falta
viviam.
Foi então que pessoa alta e magra
eu vi
Vestida de branco, a olhar para ali
Com a face tranquila, suave, simbólica,
E os olhos repletos de luz melancólica.
'Deus te abençoe, estranho!' -- exclamei.
'Inda que, por teu diverso traje,
bem sei
Que vens sem dúvida de longínquo cantão,
Espero sejas, como essa gente, cristão.'
Ele os olhos ergueu, com tão severo
ardor
Que senti meu rosto a queimar de rubor,
E respondeu com desdém: 'Como! O que
é isto?!
Eu um cristão? Na verdade não! Eu
sou cristo.'"
Se o senhor quizer
ler um magnífico estudo psicológico
do Romanismo, leia "O Anticristo"
de Nietzsche, e quando quer que o
senhor encontre escrita a palavra
"cristão", substitua-a por
"católico romano". O senhor
terá a Igreja de Roma exatamente como
é.
Resumindo o conteúdo
desta carta:
Todos os homens
são filhos de Deus. Todos os homens
são capazes de realizar sobre a terra
o Reino dos Céus, que está dentro
de nós. Somos todos membros do Corpo
de Deus, todos Templos do Espírito
Santo, e basta limpar o Templo --
o que não significa castrar- se física
ou psicologicamente! -- para que a
Presença se manifeste.
Não há nenhum "Jesús,
Filho Único de Deus" para ser
adorado; e quaisquer pessoas que afirmem
o contrário ou estão enganadas ou
estão enganando.
Está escrito nos
"Evangelhos": Vós conhecereis
a verdade, e a verdade vos fará livres.
E também está escrito,
nos originais santos, blasfemados
e traídos pelas perpetrações romano-alexandrinas,
que Jon olhou sorridente para a multidão
e, abrindo os braços, lhes bradou:
"Vós sois o
Caminho, a Ressurreição e a Vida!
Pois é eternamente
verdade que o Verbo se faz carne;
e neste exato momento, habita em nós.
Amor é a lei, amor sob vontade.
-------------------------------
NOTA BIBLIOGRÁFICA E ADDENDUM
Esta carta foi originalmente
escrita no dia 9 de julho de 1963
e.v., endereçada a um maçom osiriano,
médico, o Dr. Luiz Gastão da Costa
e Souza, clinicando em Petrópolis,
RJ. Foi-nos posteriormente dito, por
outro maçom osiriano e ex-aspirante,
Euclydes Lacerda de Almeida, que o
Dr. Gastão cuidadosamente guardou
a carta, mas se absteve por completo
de mostrá-la a outros maçons.
Após o Primeiro
de Abril de 1964 e.v., a carta foi
copiada a carbono pelo autor, e distribuída
livremente nas ruas do Rio de Janeiro
a pessoas a quem ele se sentia impulsionado
a entregá-la. A segunda versão foi
consideravelmente ampliada na parte
bibliográfica e histórica. O presente
documento representa a terceira, e,
esperamos, final versão.
A carta original
terminava com os seguintes dizeres:
"Doutor Gastão,
este momento é dos mais graves da
história da humanidade. Dos quatro
cantos do mundo, forças das mais hediondas,
das mais diabólicas, forças desalmadas
se concentram em um ataque ao Homem,
a Deus, à Justiça e à Verdade. Os
comunistas encarnam um dos aspectos
destas forças; as religiões organizadas
do Aeon passado encarnam outros. No
momento presente, são pouquíssimos
os homens que conservam contacto com
os planos espirituais; e no entanto
eu levanto a minha voz em profecia
e lhe digo:
Esta é a escuridão
da Passagem dos Aeons.
No Novo Aeon, serão
os bodes que organizarão a Igreja.
A maçonaria é a
chave do Templo de Deus.
Eu avisei o senhor
quando nos vimos: se os maçons brasileiros
tentarem honestamente limpar a maçonaria
das forças malignas que tentam infiltrar-se
nela; se eles se despertarem novamente
para a luta espiritual e para a luta
cívica, eles terão todo o auxílio
que for necessário. O Olho ainda está
no Triângulo. MAS SE VÓS FIZERDES
PACTOS COM DEMÔNIOS O OLHO SE FECHARÁ
SOBRE VÓS.
Não é possível ser
maçon e ser católico romano.
Não é possível ser
marxista e ser maçon.
Não é possível ser
maçon sem ser cristão.
Limpai as Lojas!
Ou o Olho se fechará sobre vós.
Calafatai as Lojas!
Ou a energia espiritual que nelas
se acumula se escoará (esta é a razão
pela qual o vosso segredo é a vossa
força).
Serví o Brasil antes
de mais nada; acima de toda outra
nação; sois brasileiros, e o progresso
como a caridade começa
em casa. Daí aos pobres do vosso excesso,
mas não da vossa substância.
Sede verdadeiros
maçons: maçons dignos dos que vos
precederam, maçons dignos dos que
fizeram a Independência, o Segundo
Império e a República.
Nunca tenhais medo
de lutar pela Verdade e pela Justiça,
e perdoai os vossos adversários
mas vencei-os, antes! Não agradeçais
à Igreja de Roma as concessões que
ela vos "faz". Ó meus Irmãos
pois como homens, somos todos
Irmãos essas "concessões",
vós já as conquistastes: não ouvis
os gemidos de dor? Não vedes os oceanos
de sangue, não percebeis a legião
de mártires maçônicos, não sentis
ainda o cheiro e o clarão das fogueiras?
A Igreja de Roma nunca fez concessões
de ordem teológica a não ser por razões
econômicas e políticas; ela sempre
se aliou aos tiranos contra os oprimidos,
e aliar-se-á aos marxistas, se necessário,
para combater-vos; mas sede fiéis
ao olho e o olho vos servirá.
Todo o progresso
humano; toda lei humanitária; toda
proteção à ciência pura; toda tolerância
religiosa que existe no mundo presente
foi o resultado do trabalho dos maçons!
Nunca vos esqueçais disto! Não deveis
agradecer ao inimigo oculto aquilo
que ele nunca te concedeu, mas que
vós conquistastes pelo sacrifício
de muitos e pelo paciente trabalho
de incontáveis outros.
Repito-vos: sede
dignos do Olho, ou o Olho se fechará
sobre vós."
O Primeiro de Abril
de 1964 e.v. não teria ocorrido se
os maçons tivessem cumprido as condições
desta profecia. Em vez de fazer isto,
a maçonaria brasileira deu os seguintes
passos para trás nos anos que se seguiram
a esta carta:
1)
- Dividiu a sua direção em duas facções
antagônicas.
2) - Permitiu a
publicação em jornais de fotografias
do interior das Lojas, inclusive em
funcionamento.
3) - Promoveu declarações
públicas de aliança com a Igreja de
Roma.
4) - Espionou-nos
e cooperou em armar-nos ciladas e
na busca por desvendar os nossos "segredos".
Infelizmente, não temos segredos.
Ponde um tratado sobre o cálculo tensorial
nas mãos de um estudante primário
e deixai-o ler o livro a vontade:
de nada lhe adiantará. O "esoterismo"
é uma farsa: verdadeiros segredos
NÃO PODEM ser revelados, pela simples
razão que sem vivência é impossível
compreende-los, mesmo quando são explicados
da forma mais simples e mais franca.
Devido
ao desleixo ou a inércia dos maçons,
a profecia da carta se cumpriu e continua
se cumprindo. Como consequência, a
maçonaria brasileira só está viva
agora na O.T.O. e na Ordem de Télema.
Nós não reconhecemos nenhum movimento
maçônico do Velho Aeon.
A bom entendedor,
meia palavra basta; aos maus entendedores,
milhares de discursos não surtirão
efeito.
Não
existe Lei além de faze o que tu queres.
Fraternalmente
Marcelo
Motta
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